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28 de abril de 2013

visita presidencial a ITOCULO


visita presidencial a ITOCULO

Itoculo
Raul Viana

Sábado, 27 de Abril de 2013, o Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, acompanhado de alguns Ministros do Governo, autoridades governamentais de outras Províncias e secretários dos Comités da Frelimo, aterraram na Localidade de Murutho, Posto Administrativo de Itoculo (Monapo). Aterraram porque chegaram de helicóptero (5), enquanto um bom grupo chegou de carro ou camião, e a grande maioria chegou a pé, pois é o único meio de transporte que possui.


Um mar de gente aguardava a visita do Chefe de Estado. Tudo estava enfeitado com bandeiras nacionais, panos coloridos, pedras caiadas… Os grupos artísticos e tradicionais (jovens, crianças e mamãs) executaram os seus cantos e danças. O protocolo e a segurança também cumpriram bem as suas tarefas e tudo correu bem.



Após as formalidades iniciais, com a plantação de uma árvore (m’baua) e a inauguração dos novos espaços da Localidade (Secretaria e Casa do Chefe da Localidade), seguiu-se o «Comício da Presidência Aberta e Inclusiva». Iniciou-se, então, com uma oração cristã e muçulmana feita pelos respetivos responsáveis (pároco da comunidade católica – P. Damasceno – e o xehe da comunidade maometana).

De seguida o Presidente saudou a população e agradeceu o acolhimento e as ofertas recebidas, justificando a sua presença nesta Localidade de Murutho. No seu discurso à população salientou duas coisas: a necessidade e o empenho pela paz e a luta contra a pobreza.
  
Podemos dizer que não foi por acaso que escolheu estes dois temas. De facto, a população local durante a guerra civil dos 16 anos sofreu muito com a guerrilha, pois esta Localidade de Murutho situa-se a meio-caminho entre as duas forças rivais (o centro da Frelimo em Itoculo e a base militar da Renamo em Mariri). Lendo um pouco do «diário de guerra» do P. Gino Pastor, então Pároco de Itoculo, de imediato descobrimos a grande quantidade de mortos, pilhagens, incêndio de casas, medo… e muitas outras atrocidades da guerrilha que aí aconteceram. Assim, quando o Presidente perguntou quantas pessoas tinham sofrido com essa guerrilha, muitas foram as mãos levantadas, e todas manifestaram a vontade de manter a paz alcançada.

Se para manter e trabalhar pela paz o Presidente pedia o empenho de todos, também para a «luta contra a pobreza», tema insistente do atual Governo, se exigia a colaboração de todos. Na verdade, «ninguém nasceu para ser pobre, mas todos devemos viver bem», insistia o Presidente. A riqueza do solo e subsolo moçambicano deve permitir uma maior qualidade de vida para todos: a nível da saúde, da educação, das vias de comunicação, da produção agrícola, etc… «Este será o caminho do desenvolvimento do país», concluía.

Outros pontos foram ainda falados quando o Presidente passou a palavra à população. Assim, além das 35 apresentações por escrito, 10 pessoas usaram a palavra para apresentar as suas preocupações. Sem medo de falar, corajosa e frontalmente, apresentaram a real situação da localidade: má governação e corrupção a vários níveis do Chefe da Localidade (aqui aconteceu a maior ovação de toda a visita presidencial), necessidade de mais e melhores escolas, urgência de um posto de saúde e de uma maternidade, facilitar o acesso a água potável, dificuldades nos salários em atraso, questões de justiça por resolver, necessidade de uma indústria local, etc…

Ouvidos os parlantes, o Presidente resumiu as apresentações feitas e, ponderadamente, disse que esses assuntos serão analisados pelos membros do Governo ali presentes. E com isto terminou o Comício agendado seguindo-se depois um tempo de encontro com as autoridades para averiguar as preocupações apresentadas.



Enfim, tirando algumas vozes «frelimistas» que ainda se fizeram notar por alguns membros dos comités presentes e que continuam a criar confusão entre Partido no poder e Governo, bem como a proibição de tirar fotografias no decurso de toda a visita presidencial, podemos concluir que a visita foi simples e simpática. A população acolheu a visita do seu Presidente, ouviu os seus apelos, expressou aquilo que sentia (falando sem rodeios), e agora aguarda novidades resultantes deste acontecimento.

9 de janeiro de 2013


EM 2013

Raul Viana

Itoculo


Ao terminar um ano e no começo de seguinte fazem-se muitos votos, expressam-se bons desejos, sonham-se grandes esperanças… em função do ano novo que se inicia. E são tanto mais os votos, desejos e esperanças, quanto mais difícil foi o ano findo, ou mais urgente é a vontade de mudança.


Socialmente

«Pobreza cansa», esta é uma frase que se lê na fachada de uma casa na vila de Monapo. Na verdade, o povo está cansado dum discurso de mudança que os políticos proclamam a torto e a direito, quando na realidade apenas cresce e enriquece um pequeno grupo face a uma grande maioria permanece abaixo do nível digno de vida. Mas este ano haverá eleições autárquicas e, no ano seguinte, eleições gerais, e isto pode ser um bom sinal de mudança. A voz do povo expressa no voto livre e responsável será uma boa oportunidade para abrir novas oportunidades, se assim quiserem e o permitirem.

Em Itoculo, Posto Administrativo, prevê-se a visita do Administrador do Distrito (Salvador Talapa), da Governadora da Província de Nampula (Cidália Chaúque) e do Presidente de Moçambique (Emílio Guebuza). Não sabemos o que isto pode mexer localmente. Mesmo que seja para ‘inglês ver’, alguma coisa irá acontecer.


Eclesialmente

O ano 2012 ficou marcado por duas Notas Pastorais pertinentes da Conferência Episcopal Moçambicana sobre a realidade politica, económica, social e eclesial. Trata-se de uma voz credível e profética para um tempo novo rumo a um futuro melhor. No campo da educação e da saúde, ainda que se façam pequenas mudanças, grandes transformações se farão notar na sociedade, afirmam os nossos bispos. O Centro de Estudos que pretendemos construir visa responder a este apelo.

Neste Ano da Fé a nossa Diocese e Paróquia já estão mobilizadas para motivar a um verdadeiro e mais firme compromisso cristão. A Porta da Fé é o símbolo externo que marcará o início da adesão à proposta cristã. Para nós, itoculenses,  será também um ano de preparação para primeiro jubileu de 10 anos de existência da Paróquia de S. José de Itoculo em 2014.

 
Espiritanamente

Caminhando nesta terra com este povo viveremos todos estes acontecimentos sociais e eclesiais, e daremos o nosso contributo para que possam acontecer de forma positiva para todos.

Internamente iremos realizar o nosso primeiro Conselho Alargado do Grupo Espiritano (Junho de 2013). Contamos que seja um tempo para rever as decisões capitulares de 2010 e ajustar a nossa missão à luz do que nos diz o Capítulo Geral de Bagamoyo 2012, para sermos fiéis à nossa vocação e missão. A visita dos Conselheiros Gerais irá reforçar esta vontade de caminharmos unidos «num só coração e numa só alma».

Em Itoculo aguardamos o regresso da Ponte 2013 dos Jovens Sem Fronteiras, que, de novo, nos visitará para uma revitalização do espírito missionário e para o entusiasmo alegre e jovem da missão. Embora noutro Continente, os jovens e a Igreja caminham de mãos dadas com a proposta de Jesus: «ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28,19), lema das JMJ do Rio 2013.

Entre muitas outras coisas, 2013 prevê-se que seja um ano grande e expressivo. Enfim, que o Espírito nos inspire para sermos capazes de estarmos sempre à altura dos desafios que aparecerem.

13 de dezembro de 2012


Um poço de água


Raul Viana
Itoculo


No dia 8 de Dezembro na região paroquial de Congo-Itoculo decorreu a inauguração oficial do poço de água subvencionado pela Escola Secundária Henrique Medina de Esposende – Portugal. Um apoio levado a cabo pela professora Ernestina Falcão, missionária (leiga voluntária) em Itoculo em 2010-2011, a quem recordamos calorosamente e agradecemos sinceramente. 


Os trabalhos iniciaram no dia 18 de junho com a última pesquisa para obtenção de água em Djipwi-Itoculo, e no dia 4 de julho começaram os trabalhos de abertura do furo de água. A população local apareceu e colaborou bem neste serviço. Oito dias depois já se encontrava a primeira água com 18m de profundidade. Grande alegria para todos os presentes. Porém, ainda não se tinha atingido a profundidade suficiente para garantir uma quantidade de água que permita instalar uma bomba manual. Continuou-se a aprofundar, mas aos 19m atingimos uma zona rochosa que não nos permitiu prosseguir no aprofundamento do furo. Ainda procuramos outro sítio no mesmo terreno, mas sem sucesso. Propusemos abrir um poço no local onde a população apanha água, mas os locais não estavam interessadas. Desta maneira terminamos os trabalhos em Dijipwi e avançamos para a região do Congo.


Assim, no dia 2 de agosto estivemos com os técnicos no terreno e decidiu-se abrir um poço manual. Os trabalhos reiniciaram no dia 13 de Agosto, com pá e picareta, e ao fim de alguns dias já atingia 4 metros de profundidade. Mas uma camada de ao chegar de saibro muito duro travou os trabalhos. Impossibilitados de prosseguir, decidiu-se abrir num outro sítio, relativamente perto. Mas também aqui ao fim de 5m nos deparamos com o mesmo problema.

Finalmente, no dia 1 de outubro reiniciamos os trabalhos, sendo que ao fim de 3,50m já havia sinais de água, o que animou o prosseguimento dos trabalhos de perfuração que atingiu 5,40m de profundidade. Uma vez que apanhava água suficiente e começava a dificultar a dureza do terreno saibroso, decidimos iniciar o fabrico de manilhas de cimento para garantir que o poço não vá aluir no tempo das chuvas e que haja água potável.


Iniciou-se o trabalho de busca de areia e pedra para as manilhas. Concluído o fabrico das mesmas, procedeu-se à sua instalação no dia 5 de Novembro. Depois fez-se a base para a instalação da bomba manual de água. No dia 10 do mesmo mês instalou-se a bomba manual de água e entregou-se a um grupo de pessoas a responsabilidade de cuidar deste bem comum.

A nossa palavra final é um sentido agradecimento aos alunos e à Escola Henrique Medina – Esposende, lembrando uma vez mais a nossa irmã e amiga leiga voluntária, Ernestina Falcão. Ao mesmo tempo, agradecemos a todos os que se empenharam para que isto mesmo acontecesse: trabalhadores, assistentes e ajudantes, cozinheiros, etc… Não queremos esquecer ninguém.


Sabemos que este poço não vai resolver todo o problema da água em Itoculo, mas acreditamos que é uma ajuda eficaz que faz parte da nossa missão como cristãos nesta terra. Muitas gotas de água enchem o mar, e esta é mais uma gota que queremos acrescentar, para que as pessoas possam aceder mais facilmente a este líquido precioso e essencial.

Enfim, fazemos votos para este poço seja bem estimado e cuidado. Ele servirá o nosso Centro Regional do Congo e também servirá a população em redor, sendo coordenado por um comité de água devidamente formado. Esperamos e rezamos para que a água nunca se esgote neste poço e para que haja sempre boa coordenação entre todos os responsáveis e utentes.

25 de novembro de 2012

Espiritanos em Moçambique
- 2012 -
 
Raul Viana

Itoculo


O dia 28 de novembro de 1996 marca o início efetivo da presença missionária espiritana em Moçambique. Um grupo de seis missionários (dois portugueses, dois angolanos e dois nigerianos) chegaram a estas terras. Foi a resposta afirmativa da Congregação do Espírito Santo ao pedido dos bispos D. Francisco Silota da Diocese do Chimoio e D. Germano Grachane da Diocese de Nacala.
 

Precisamente nestas duas Dioceses assumimos as missões de Inyazónia e de Netia, e aí começamos a viver o carisma espiritano com este povo acabado de sair da guerra civil e com grande vontade de percorrer os caminhos da paz e do desenvolvimento. Uma realidade que marcou a nossa presença missionária, a qual desde o início sempre apostou na promoção social e compromisso eclesial.

Estas duas missões distanciadas geograficamente por mais de mil quilómetros exigiram um estilo de missão assente na vida comunitária espiritana. Para tal não faltaram alegrias e dificuldades, como também foram grandes os desafios enfrentados, e que hoje continuam a ser parte integrante da nossa maneira de viver a missão. Apesar de nos termos localizado longe dos grandes centros urbanos, onde era necessário percorrer difíceis vias de comunicação, também marcados pelo isolamento e precaridade, havia esta certeza de estar com o povo simples e com ele caminhar, vivendo o carisma da missão espiritana.
 

Com o decorrer dos tempos novas realidades surgiram e novas decisões foram tomadas. A missão/paróquia de Netia cresceu, estruturou-se e foi entregue ao Clero local em 2004. Entretanto, ao lado surgiu um novo projeto que precisava ser assumido e consolidado. Tratava-se da missão/quase-paróquia de Itoculo, onde nos encontramos atualmente em processo de consolidação social e eclesial. É uma missão rural onde é preciso percorrer as 77 comunidades ministeriais, formar e capacitar os animadores cristãos nos diferentes âmbitos da fé e do compromisso social, potenciar e colaborar no desenvolvimento integral dando preferência aos mais desfavorecidos.

Ao mesmo tempo, para romper o isolamento sentido pelos missionários espiritanos, inicia-se um outro projeto em Nampula-cidade para responder às necessidades da Igreja local num dos bairros periféricos (Mutawanha-Paróquia de S. João de Deus). Aqui também a missão é entendida como desenvolvimento humano integral. Além da assistência religiosa pastoral, surgiu uma aposta séria em projetos de desenvolvimento (centro nutricional, sala de corte e costura, biblioteca, cursos de informática, sala de acesso à internet…) especialmente para aqueles que são excluídos, que não têm possibilidade nem capacidade de aceder aos meios comuns de cada dia.

Em Inyazónia (Chimoio) a missão espiritana também está marcada pelos grandes desafios da precaridade de vida das pessoas, da carência de meios e das grandes distâncias a percorrer. O apoio local a pequenos projetos de desenvolvimento a par do anúncio do Evangelho numa larga extensão territorial com cerca de 50 pequenas comunidades é a ocupação e a vida dos missionários aí presentes. A nossa decisão e a vontade de abrir uma nova comunidade espiritana na cidade da Beira permitiria diminuir o isolamento sentido por estes missionários, bem como o reforçar o sentido da missão espiritana, disposta a iniciar um processo formativo para jovens moçambicanos candidatos à vida espiritana.

 
Enfim, passados 16 anos, a missão espiritana continua viva e atual. Não apenas queremos manter, mas aumentar a nossa presença, respondendo às necessidades desta igreja local em geral e da missão espiritana em particular. Por isso, a todos os nossos colaboradores queremos agradecer o apoio e comunhão que recebemos, os quais são fonte de muitas outras iniciativas. Tal é o caso do centro formativo-pastoral de Xihire-Itoculo que as Paróquias de Vitorino dos Piães, Poiares e Navió (Arciprestado de Ponte de Lima-Portugal) ajudaram a erguer. Um agradecimento que se une com uma prece missionária para que haja mais jovens atentos à voz de Deus e se decidam a avançar e a partir em Missão.

6 de novembro de 2012


Ano da Fé em Itoculo


Raul Viana

Itoculo


O dia 11 de Outubro em Roma, o dia 18 na Catedral de Nacala e o dia 4 de Novembro na Paróquia de S. José de Itoculo, em diferentes níveis, estiveram marcados pela mesma iniciativa: celebração de abertura do Ano da Fé.

 Na nossa paróquia de Itoculo quisemos marcá-lo com um sinal exterior, fazendo uma PORTA, por onde entramos e onde devemos passar ao longo de todo o ano, recordando a entrada inicial do nosso batismo na fé da Igreja. (NB: Agradecemos à voluntária Joana Cruz e à sua família que nos possibilitaram esta bela iniciativa).


Como afirma o Papa Bento XVI, o Ano da Fé será um momento oportuno para reavivar e fortalecer a fé e incentivar à transmissão da mesma. A nível interno queremos que seja também será um tempo para recordar a história da evangelização e o surgimento de cada comunidade na nossa paróquia.

Assim, olhando as origens da evangelização em Moçambique, vemos que tudo se iniciou a 11 de Março de 1498, dia em que se celebrou a primeira Missa em terras moçambicanas, participada por Vasco da Gama e os navegadores na primeira viagem marítima para a Índia.

Descoberto este caminho, outros navegadores, e com eles os missionários, chegaram a estas terras. Assim, no ano de 1505 em Sofala, encontramos a primeira igreja em solo moçambicano, onde se começou a ensinar as coisas da fé aos povos locais, celebrando-se em 1506 os primeiros batismos. 


Em 1560 iniciou-se a evangelização para o interior de Moçambique com o P. Gonçalo da Silveira e seus companheiros jesuítas a entrar no reino de Monomotapa. Seguiu-se um tempo de evangelização (1640-1940) com altos e baixos… No séc. XIX dá-se um grande ressurgimento missionário em África que envolverá toda a Igreja, com a tomada de consciência internacional do triste espetáculo da escravatura, que levou à formação de um forte movimento antiescravagista, e onde a Igreja assumiu um papel pioneiro e libertador.

Em 1940, com a assinatura da Concordata e do Acordo Missionário, consegue-se uma nova orientação missionária para a Igreja em Moçambique. São criadas três dioceses (Maputo, Beira e Nampula) e mais tarde são ordenados bispos moçambicanos que assumem essas mesmas dioceses. No interior, as Missões tornam-se verdadeiros polos de evangelização e desenvolvimento.

Centrando-nos agora na nossa diocese de Nacala, temos a dizer que ela foi criada na véspera dos Acordos de Paz, desmembrada da Arquidiocese de Nampula e canonicamente ereta no dia 5 de Novembro de 1991, pelo Papa João Paulo II. No dia 29 de Dezembro de 1991 D. Germano Grachane assumiu a sua cátedra.


A Diocese de Nacala abrange a parte costeira marítima da província de Nampula, partindo do rio Lúrio (a norte) até ao Mongincual (sul). Sendo uma das mais pequenas dioceses territorialmente, com uma superfície de 26.000Km2, compreendendo 9 distritos (Namapa, Nacaroa, Monapo, Mongincual, Mossuril, Ilha de Moçambique, Memba, Nacala-a-Velha e Nacala-Porto), ela é uma das mais densas a nível populacional.

A nossa Diocese tem como padroeira Nossa Senhora da Boa Viagem, um patrocínio e um templo pensados para os marinheiros e navegantes que partiam e/ou chegavam ao Porto de Nacala. As 22 paróquias que compõem a Diocese são também uma expressão da sua riqueza. As mais antigas são as paróquias de Nossa Senhora da Conceição de Mossuril (1524) e de Nossa Senhora da Purificação da Ilha de Moçambique (27/08/1700). A mais recente são as paróquias de S. João Batista de Nacala-Cidade Alta (29/08/1994) e de S. José de Itoculo (19/03/2004).


A nossa paróquia de S. José de Itoculo divide-se em três regiões (Djipwi, Xihire e Congo) e em 15 Zonas pastorais com 77 Comunidades cristãs. Queremos que cada Comunidade cristã conte a sua história, sabendo que a Comunidade cristã mais antiga está a completar 50 anos de existência: S. Paulo Monetaca. O que significa que estamos perante uma igreja jovem e cheia de esperança.

Enfim, temos aqui um breve resumo desta Igreja onde estamos inseridos. Mas, acima de tudo, importa perceber que atrás de nós muitos outros já caminharam e testemunharam a sua fé. Hoje somos nós que temos de dar continuidade a essa história cristã, e nesse sentido manter acesa a chama da fé erguendo bem alto a luz que nos ilumina. Como afirma o Papa Bento XVI, «a fé só se mantém viva quando se partilha». Então, saibamos ser suas testemunhas e anunciadores pela palavra e pela ação, e que Nossa Senhora da Boa Viagem nos acompanhe neste peregrinar.

29 de agosto de 2012


Celebração em Mweravale

Mensagem pela passagem dos 20 anos da morte do Irmão Alfredo Fiorino, Missionário Comboniano.
 
Queremos desde já saudar o Senhor Bispo e toda a Família Comboniana por estarem cá presentes para lembrar esta data de desaparecimento físico do nosso irmão.

Meus irmãos! Em reconhecimento do Irmão Alfredo Fiorino façamos agora um momento de silêncio orando por ele, e com ele, ao Deus da vida…

O irmão Alfredo Fiorino foi morto numa emboscada pelos militares da Renamo na manhã do dia 24 de Agosto de 1992, quando voltava de Nacala-Porto. Ao chegar a este lugar os guerrilheiros lhe atacaram e mataram imediatamente. Ele vinha sozinho de carro, sem levar pessoas ou material, e assim foi morto inocentemente.

Caríssimos! Pensando nesta partida inesperada e violenta do Irmão para a casa do Pai, isto nos mostra eu hoje também nós devemos estar preparados para viver e aceitar qualquer situação imprevista.

A guerra dos 16 anos fez desaparecer muito irmãos e irmãs que todos bem conhecemos. Isto aconteceu em vários pontos do nosso país, em particular, aqui mesmo em Mweravale. Neste sentido, lembramos também a Irmã Teresa, missionária comboniana, e muito outros irmãos que até nem conseguimos dizer todos os nomes, mas que também derramaram inocentemente o seu sangue junto com o Sangue de Cristo.

A Paróquia de Itoculo que viveu estes tristes acontecimentos sempre pensa no sangue aqui derramado. Hoje estamos a viver outras situações também muito tristes e de sofrimento, pois são muitos os acidentes de carro que acontecem nesta estrada de Mweravale e que matam os nossos familiares. Nós sentimos que não estamos seguros com a grande velocidade que os carros e camiões andam nesta estrada, e gostávamos que as autoridades nos ajudassem resolver este problema.

Caríssimos presentes, nós os cristãos desta zona respeitamos muito o sangue aqui derramado, mas também lamentamos muito os estragos que algumas pessoas estranhas fizeram nos marcos que assinalam o lugar onde morreram estes nossos irmãos. Será sempre um espaço sagrado que vamos manter, por isso também já construímos a nossa capela-igreja de Mweravale, que nos ajuda a recordar isso mesmo.


Nós os cristãos desta Região, e da Paróquia de S. José de Itoculo, para recordar todos os missionários mortos nesta área, especialmente o Irmão Fiorino e a Irmã Teresa, e juntamente com eles todos os cristãos e outros mortos durante a guerra civil, gostávamos de construir ainda um outro monumento ou um santuário em recordação deles e em sinal de paz. Por isso, pedimos aos Missionários Combonianos e aos familiares do Irmão Fiorino para nos apoiarem nesta iniciativa, para daqui a 5 anos celebrarmos juntos os 25 anos da Paz em Moçambique.

Acreditamos que o sangue derramado inocentemente nestas terras não foi inútil, nem será esquecido, mas é para nós um exemplo de total entrega a Deus na nossa fé cristã, onde Jesus Cristo nos mostra o verdadeiro caminho, e nos convida a seguir sempre iluminados pelo seu Espírito Santo.

Terminamos esta mensagem com um agradecimento sincero a todos os irmãos que trabalharam para a realização desta celebração de recordação, e a todos os presentes que se deslocaram até aqui, o nosso muito obrigado.

Animador Regional do Congo, em representação de toda a Paróquia
António Salimo

Mweravale, 24 de Agosto de 2012.

Obrigado.

22 de abril de 2012

a história da nossa igreja
Diocese de Nacala,
Paróquia de Itoculo,
Região de Djipwi,
Zona de Cristo Rei,
Comunidade de Havara.

Primeiramente vamos agradecer o nosso padre por causa de presidir neste dia 8 de abril de 2012, para fazer a festa do baptismo, reunida por 7 comunidades aqui de Havara.

A partir de 2001 nunca existiu festa como hoje. Nós de Havara gostamos de apear para noutras comunidades para conseguir o baptismo, assim como casamento canónico. Mas hoje 8 de abril já temos aqui a nossa igreja.

Os antigos desta zona nunca tinham igreja neste círculo. Rezavam em Santa Maria Turra. Então o órgão da povoação de Havara foi pedir uma igreja para construir neste recinto. A nossa igreja foi criada com o padre Gino no dia 13 de agosto de 1984. Em 1986 entrou a guerra da FRELIMO e RENAMO. Fomos recuados e fomos construir a nossa igreja no lado Narrupe. Lá rezávamos bem e tínhamos machambas e outras coisas.

Quando acabou a luta, voltamos para cá e construímos a nossa igreja Santa Teresa 15 de outubro. Nessa altura éramos mandados em Thamela. Aos poucos anos virámos a nossa porta para ser orientada na zona de Cristo-Rei.

Entraram 6 anciões. O antigo morreu vítima de doença. O que temos neste momento é repetente. Agradecemos muito porque o nosso animador quando continuou o seu ministério organizou uma ideia para melhorar a nossa igreja. Vamos dar um grande abraço ao nosso ancião.

Inauguração

Em 2011 o nosso ancião junto com os conselheiros fizeram uma conferência de maneira como construir nova igreja. No diálogo aprovou o resumo que diz: «cada pessoa tirar 200mt». Nós os cristãos de Havara gostamos imenso da contribuição no valor combinado. No meio da contribuição começamos a construir. No dia da maticação, era no tempo do verão, não havia água suficiente, mas o Espírito Santo estava connosco. No período de 14h foram concluídos. Vieram 85 pessoas. Os jovens entraram no bosque e conseguiram 50 barrotes de 4 metros. Lá no mato ninguém recebia dinheiro. O nosso ancião levou o dinheiro para a paróquia e foi dado ao padre para comprar chapas de zinco. Então chamamos o nosso mestre para telhar a nossa igreja e foi concluída em 3 dias. A nossa igreja entrou 45 chapas, cada chapa custava 250mt, e 5 kilos de pregos, cada kilo de 100mt. A partir do início até na finalização mataram 12 galinhas e 25kg de farinha celeste. De chapas até pregos gastamos 11.750mt. Temos 1 hectare de algodão.
Hoje é dia de inauguração, todos vamos ficar alegremente: papás vamos aplaudir, mamãs tocar ilulu e jovens canções de animação, porque Santa Teresa Havara cresceu. Estávamos na escuridão, a luz do Senhor nos iluminou.

8/4/2012
Visto por ancião, Bonifácio António Mesquita

26 - A alegria completa

– Netia-Itoculo/2003-2004 «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu. […] Pois esta é a minha alegria! ...