2 de novembro de 2011

Vai vende tudo e segue me!


Aldino André



Harare


Diante do desejo do rico joven em seguir Jesus, isto è, em partilhar a sua vida diária, o seu sofrimento, a sua condenação, a sua morte e por fim a sua ressureição, Jesus não responde impondo uma sèrie de requisìtos, como se tem feito quando desejamos ocupar uma vaga numa instituição.

Jesus não olha pelo passado do jovem, não se interessa de onde ele vem, qual è o seu comportamento; simplesmente Jesus se interessa em satisfazer a vontade do jovem e a resposta è tão simples e direita: "vai, vende tudo o que tens e vem segue me". Isto não è assim tão fácil, especialmente quando o que temos nos serve de conforto, de defesa e nos faz sentir importantes.

São os nossos bens materias, são as nossas atitudes e comportamentos e a familia è o ambiente de casa que sempre se considera melhor. Mas para seguir Jesus se deve fazer um esforço a mais, se deve deixar algo por traz, se deve perder para ganhar algo maior, se deve deixar o egoismo para dar lugar aos outros, enfim se deve morrer para viver.


O único requisito que Jesus faz ao jovem rico parece ser defícil ou se não mesmo impossivel. Podemos dizer que a sua riqueza o tinha tornado cego e não era capaz de ver quanto ganharia ao vender tudo por uma nobre causa, seguir Jesus Cristo. Isto trata-se de um examplo de como muitas vezes não somos capazes de sacrificar coisas menores para coisas maiores, não somos capazes de sacrificar esta vida pela vida eterna a qual Jesus nos propõe. Mas não podemos ignorar o facto de que existem pessoas que ouvem o chamado de Deus e sacrificam, literalmente, tudo com fé para o seguir.

A Bíblia, nos apresenta duas personagens como modelo de disponibilidade a seguir, com fé, o chamado que Deus nos faz para o servir. Penso em Abraão, o nosso pai na fé, que com fé deixou a sua terra natal para um destino incerto, com fé viveu como refugiado no estrangeiro, com fé a sua esposa concebeu mesmo na velhice, com fé aceitou sacrificar o seu único filho. E como resultado Deus prometeu uma grande fortuna, a sua descendência seria como as estrelas do céu.

Ainda a Bíblia apresenta-nos a imagem de Maria, um outro exemplo de fé; ela não hesitou em aceitar carregar Jesus no seu ventre, pesembora para alguns fosse uma vergonha conceber fora do casamento.

Estas duas figuras deviam ser um exemplo para nós, que tudo é possivel quanto dizemos sim ao convite que Jesus nos faz para O seguir. De facto, gente há que renuncia os seus bens e o seu futuro brilhante para seguir Jesus. Penso em particular do nosso primeiro fundador Cláudio Poullart des Places, que renunciou a sua carreira de juiz que, de certeza, o tornaria famoso e rico para enveredar pela vida religiosa e preferiu viver pobre e com pobres. Penso de tantos missionários e misssionárias, leigos e leigas que deixaram o conforto de primeiro mundo (Europa e não só) e decidiram vir para África ou América do Sul para partilhar o sofrimento do povo e em certos casos trate-se de pobreza extrema, onde estes homens de Deus se encontram nessas situações anuanciando a Boa Nova de Jesus ressucitado.

Durante este tempo em que estou a caminhar com os Missionários do Espirito Santo, testemunhei estas situações de missionários que escolheram tornar-se pobre com os pobres e isto me leva a questionar-me se eu não agiria como aquele jovem ao ser convidade para la ir viver! Mas acima de tudo estou convencido que se Deus me chama seguramente tem planos superiores para mim e como Cláudio Poullart des Places disse: “estou decidido a seguir o caminho que ele me indicar.” Pois acredito que o mesmo Deus que escolheu e guiou o povo de Israel, tambem me guiará.

Vem junta-te a nós nesta aventura e deixa-te guiar pelo Espirito Santo!

1 de setembro de 2011




Era uma vez uma biblioteca…


Ernestina Falcão

Itoculo


...que, naturalmente, tinha livros. Não eram assim muitos, muitos, muitos, mas qualquer livro que se preze gosta de ser folheado, cheirado, lido, “saboreado”, e os desta biblioteca, nada … ninguém lhes ligava nenhuma e, por isso, eram livros tristes…Até que apareceu uma leiga missionária voluntária, que gosta muito de livros e que se interessou muito por eles e muito mais ainda pelas pessoas que podiam beneficiar deles. Então, ela mostrou-os, deu-os a conhecer, fez publicidade deles, chamou à atenção para eles.
A biblioteca de que falamos é a biblioteca paroquial de São José de Itoculo e a leiga missionária sou eu mesma… a Ernestina. Bom, dinamizar esta biblioteca foi um trabalho a que me dediquei e que me deu muitas alegrias. O P. Raul, o P. Damasceno, depois o Vincent e, por último também o P. Desmond tinham que me aturar quando eu regressava da biblioteca, nos primeiros dias de abertura, um pouco triste porque não aparecia ninguém e depois cheia de alegria e entusiasmo que não era capaz de guardar e tinha que partilhar com eles quando numa tarde (apenas duas horas) me apareciam na biblioteca 10, 15, 20 alunos e o máximo foram 44.
Os livros mais requisitados / procurados são os manuais escolares moçambicanos da 8ª classe, mas também começaram a aventurar-se na pesquisa. Como só temos dois manuais de cada disciplina e os alunos eram muitos, então eles procuravam noutras prateleiras os assuntos que queriam pesquisar.
Foi muito bom e gratificante ver aquele espaço, transformar-se num local de encontro, de estudo e de descoberta de novos saberes para muitos jovens estudantes. Actualmente são 84 os leitores da biblioteca e alguns deles são já frequentadores assíduos da biblioteca. É com grande alegria que os recebo na biblioteca e os vejo estudar, pois os manuais escolares (o de Biologia em especial...) são os mais procurados.
A terça-feira, dia 9 de Agosto foi dia de festa, pois foi registada a requisição número mil na nossa biblioteca paroquial. Teve direito a registo escrito (na folha de requisições) e fotográfico.
A partir de meados de Junho, a biblioteca paroquial já não tinha só livros…, passou a ter também um computador - estava no cartório meio abandonado e resolvemos dar-lhe uso. Notei que os livros ficaram um pouco enciumados, pois as maiores atenções deixaram de ser para eles e passaram a ser para aquele aparelho lá colocado em cima da secretária…Mas tudo se resolveu porque o computador era só um e a pessoa que podia ensinar a trabalhar com ele também era só uma e por isso os livros continuaram a ser muito requisitados. O número de leitores anuais, pois só estes teriam acesso ao computador, é que cresceu: passou de 29 em 14 de Junho (data em que foi colocado o computador na biblioteca) para os 48.
Também a partir de 19 de Julho, na nossa biblioteca apareceu outra novidade: o jogo de xadrez. Este é um jogo que, reconhecidamente, desenvolve o raciocínio e, por isso a capacidade de aprendizagem. Pois bem, desafiei o P. Damasceno, que gosta de jogar xadrez e não tem companhia, a ensinar os utentes da biblioteca a jogar. Ele, depois de alguma resistência, aceitou o desafio e foi até à biblioteca ensinar, mas logo se queixou das capacidades de aprendizagem dos meus alunos.Um passarinho segredou no meu ouvido que um projecto novo está a nascer, para a criação de um novo espaço para a biblioteca, um espaço maior com sala de leitura própria (até à data, é o refeitório do centro paroquial que serve de sala de leitura e de estudo) e também com espaço para a informática. Pois essa é uma excelente ideia e que vou apoiar com tudo o que me for possível.

28 de julho de 2011



novos espiritanos


Raul Viana

Itoculo



No dia 26 de Julho em Petermariztburg (África do Sul) 10 jovens fizeram a sua Primeira Profissão Religiosa (4 do Malawi, 3 do Zimbabwe, 2 da Zâmbia e 1 de Moçambique).

Foi uma celebração simples, profunda e cheia de alegria, em vista de um verdadeiro compromisso missionário espiritano. Eu tive a graça de estar presente e nela participar, pois tratava-se também do primeiro jovem moçambicano a assumir tal compromisso.

Na verdade, este é já o segundo espiritano na nossa Congregação. O primeiro é o P. João Luis Dimba (de Tete) que actualmente integra o Grupo Internacional do Malawi. O Aldino André é natural de Nampula, oriundo da Paróquia Espiritana de S. João de Deus e fica a pertencer, a partir de agora, ao Grupo Internacional de Moçambique.



Acreditamos que este seja o começar de uma nova temporada para a nossa pequena Circunscrição. Depois de quase 15 anos de presença missionária espiritana em Moçambique, chega o tempo de começar a colher alguns frutos. Além do apoio directo à Igreja local onde nos inserimos, queremos desenvolver também a pastoral vocacional espiritana.

Sentimos que a formação inicial para a Vida religiosa Espiritana no nosso Grupo é vital. É também uma necessidade que se impõe para garantir a nossa continuidade nestas terras, bem como para o enriquecimento da Igreja Moçambicana através da riqueza do nosso carisma Espiritano.

Alguns candidatos à vida espiritana vão surgindo, apesar de não fazermos divulgação. Porém a falta de meios e estruturas nos dificulta esta missão. Por outro lado, já estamos a trabalhar para que no futuro se possa acolher, acompanhar, formar os jovens candidatos à vida e missão espiritanas em Moçambique. Trata-se do projecto de uma futura comunidade na cidade da Beira, que esperamos desenvolver o mais rápido possível.


Mesmo assim, vamos acolhendo alguns candidatos. O Moisés Mário é um jovem moçambicano, na etapa do Postulantado, que em breve seguirá para o Malawi. Podemos dizer que são pequenas gotas que mais tarde poderão formar um oceano. Neste sentido, pedimos a Deus que ilumine e fortaleça o coração destes jovens que apostam na vida missionária espiritana, e vá suscitando no coração de outros tantos o desejo de uma vida consagrada, missionária e espiritana.

26 de junho de 2011

encontro do grupo espiritano

em moçambique


Raul Viana


Itoculo


De 20 a 25 de Junho tivemos o nosso encontro anual. Somos três comunidades que nestes dias formamos uma única comunidade espiritana.



O primeiro dia ficou marcado pelas viagens. Da comunidade de Inyazónia (Chimoio) chegaram o P. Damien (Rep. Centro Africana), os jovens estagiários Joseph (Malawi) e o Eduard (Ghana), e os PP. Godefroy (Congo K.) e Nicholas (Zambia), aprendizes de português na Cidade da Beira. Da comunidade de Nampula chegaram o Ir. Ronan (Irlanda), o P. Chrislain (Congo B.) e o jovem estagiário Isaac (Paraguay). Em Itoculo os PP. Damasceno e Raul (Portugal), o P. Desmond (Irlanda) e o jovem estagiário Vincent (Ghana) prepararam e acolheram os que chegavam. Estavam ausentes os PP. Yves (França) e o Alberto (Angola).


No segundo dia, depois de recuperados da viagem, em especial aqueles que precisaram de 17h para chegar, fizemos uma visita local à povoação itoculense. Iniciamos formalmente o nosso encontro relembrando as palavras do Superior Geral na sua carta de Pentecostes: «o espiritano não é definido pelo que faz, nem pelos locais de trabalho, mas por três qualidades fundamentais que fazem dele uma pessoa “laboriosa” (quer dizer trabalhadora), “capaz” (ou seja competente) e “desinteressada” (isto é disponível).»


O terceiro dia ficou marcado pela partilha dos mais velhos e dos mais novos, alguns recentemente chegados. Conhecer a nossa história, partilhar o nosso viver, pensar o nosso futuro… foram assuntos que nos preencheram completamente.


Para mudar de ambiente, aproveitamos o quarto dia para sair de casa e visitar a Ilha de Moçambique, o berço da nacionalidade moçambicana. Sentindo os ares do Índico, não resistimos a um mergulho na praia da Cabaceira.

O quinto dia começou com uma reflexão e meditação a partir de uma carta de Libermann cheia de bons e sábios conselhos para a vida missionária (in ND VII, p.191-195). O fim o dia ficou marcado pela celebração Eucarística com Renovação de Votos do estagiário Joseph e o convívio final que avançou pela noite dentro.


Terminado o Encontro do Grupo cada comunidade logo de madrugada regressou ao seu local de missão. Enfim, foi um encontro intenso e bem vivido com espírito jovem e alegre, onde não faltou o compromisso e comunhão para viver a nossa missão espiritana em Moçambique. Que o Espírito Santo seja sempre a nossa força e a nossa luz.

19 de junho de 2011

régulo mepóva



Raul Viana



Itoculo



Num destes dias visitei um dos nossos Régulos (autoridade tradicional macua) numa das nossas Regiões da Paróquia. A finalidade desta visita incidia na apresentação de um pedido de autorização para extrair pedra dentro do território do seu regulado em vista da construção que estamos a fazer no Centro Regional de Xihir.

Este pedido enquadrava-se, também, no respeito e atenção pela «autoridade tradicional», dono desse território. Como chefe territorial, a ele compete as decisões relativas à exploração da terra.
Acompanhado de um animador cristão, aproximei-me da casa, pedindo licença para entrar. Na varanda da casa estava ele deitado na sua quitanda (cama típica dos macuas) muito recolhido e com familiares à volta. Estava mesmo doente.

Como habitualmente fazemos, começamos pela saudação e respectiva partilha de novidades. Logo ele iniciou apresentando o seu estado doentio, bastante visível. Trocamos algumas palavras e disse-lhe que estava disponível para o trazer ao Centro de Saúde de Itoculo, para fazer um tratamento medicamentoso. Porém, recusou dizendo que o seu estado iria melhorar. Nesse caso adiantei que o carro voltaria a passar nesse caminho dentro de dois dias e, caso não melhorasse, podia seguir para o hospital. Essa seria a nossa colaboração, visto que a sua casa dista do centro de Itoculo cerca de 15km.

No meio de tudo isto ainda hesitei apresentar o pedido que me levava aí sobre a extracção de pedra dentro do seu regulado. Mas ele insistiu no porquê da visita e então apresentei a questão, à qual deu uma resposta imediata e positiva. Nada havia a impedir a não ser a debilidade do seu estado de saúde. E assim falando em macua, disse que podíamos extrair essa pedra, visto que se trata de uma construção que também vai servir o seu povo. Agradecendo a colaboração concedida, nos despedimos desejando as melhoras e rápida recuperação.



Passados dois dias o carro da missão voltou a passar nesse caminho e logo foi mandado parar para informar que o Régulo não podia seguir para o hospital porque primeiro tem de consultar a «Tradição». Ou seja, tem de ir primeiro aos curandeiros e adivinhos, como mandam as regras locais. E assim uma vez mais ficou adiada a sua vinda para o hospital central.

De facto, a situação agravou-se. E a primeira coisa a fazer é recorrer à «tradição» consultar as «forças locais». Deste modo não foi de estranhar a notícia da sua morte passados poucos dias. Tratava-se apenas de uma infecção urinária ou prostatite, que o hospital central podia resolver.

Este Régulo Mepóva é apenas um exemplo dos inúmeros casos que acontecem neste meio sócio-cultural macua. De facto, a «tradição» é muito forte e inflexível, e é a primeira a ser procurada. Posteriormente se recorre aos serviços do centro de saúde e/ou hospitalar. Esta prioridade local é por vezes uma solução eficaz, quando se trata de pequenas doenças que a medicina natural resolve. Mas na maioria das vezes, apenas agrava a situação dificultando ou mesmo impossibilitando a sua cura. Noutros casos, como aconteceu com este Régulo, termina com a morte do paciente.

Mesmo disponibilizando tempo e meios, o peso da «tradição local» dificulta o nosso trabalho pela qualidade de vida deste povo. Isto que se verifica no campo da saúde, cujos os casos são imensos, também se verificam no campo da Pastoral Paroquial. Na verdade, trata-se de um verdadeiro desafio à evangelização que estamos realizando, o qual nos faz ver que a inculturação do Evangelho é ainda um caminho muito longo a percorrer, um processo que requer tempo e entrega.


É assim mesmo, que a Missão continua.

8 de junho de 2011

sol radiante, lua cheia



Damasceno

Itoculo




Passou o mês de Maio. E mais uma vez, como já vem sendo hábito, a comunidade cristã da paróquia de Itoculo se organizou para rezar o terço na casa de uma família diferente cada noite. Para nós, missionários, era um momento privilegiado de encontro com Maria e de confraternização com os fiéis nas suas casas, nos seus lares... depois do jantar, de foco na mão, saíamos, quais peregrinos, às apalpadelas, pelo meio do bairro até chegarmos ao “presépio” dessa noite... qualquer que fosse a família, ou a parte do bairro onde morava, o ambiente era sempre o mesmo: noite apenas iluminada pelo candeeiro a petróleo ou por uma lanterna de pilhas baratas. Mal se viam as caras dos que iam chegando à medida que o terço não começava. A mobília era meia dúzia de esteiras, a condizer com o capim do telhado. E começava o terço. E quando começava não mais parava. Porque era rezado naquele ritmo corridinho que o povo gosta, quase a cantar. Foi bom.

Talvez encantado e lançado por esse ambiente do Maio de Maria veio-mo à cabeça, já em pleno Junho, uma poesia que partilho agora convosco. Não dizem que “de poeta e de louco todos temos um pouco”? Então cá vai:


Sol Radiante, Lua Cheia

Senhor, tu és Sol
Brilhante, iluminas
Dás beleza às criaturas
Senhor, tu és Sol
Para nós te inclinas
Nos afagas das alturas

Senhor, somos lua
Minguante, deserta
Sem coragem de luar
Senhor, somos lua
Crescente, desperta
Ao calor do teu olhar

Senhor, somos lua
Inunda de ouro
O chão que por ti anseia
Senhor, só Maria
Arca do tesouro
Te acolheu em lua cheia

Mosteiro “Mater Dei”, Nampula
07 de Junho 2011

19 de abril de 2011

Um “A”




Damasceno dos Reis
Itoculo

Um mísero “A”.
Quando não se tem mais nada para dizer, quando faltam ideias, um reles “A” pode servir perfeitamente. Além da frequente falta de imaginação para compor um sermão ou para escrever qualquer coisa de jeito para o blog, também pode acontecer que o tempo nos atraiçoe e decida mirrar quando mais precisávamos dele (ou nós provocamos o Deus do tempo adicionando à agenda um irreflectido e desmedido número de compromissos?), por isso esta é uma opção legítima. Escrever um “A”. Quanto mais não seja, evita-se dizer muitas barbaridades.

Pois bem. Não há tempo para responder aos mails dos amigos? não fique uma eternidade sem dar sinal de vida. Dê uma martelada na tecla do “A” e envie. Sempre estará a fazer uma coisa mais personalizada do que muitos que simplesmente reencaminham PowerPoints ou anedotas do Sócrates. Aliás, muitos PowerPoints são uma autêntica seca e acabamos concluindo que abrir tal ficheiro foi perda de tempo (sobretudo para quem não tem net por cabo nem computador com drezagigabytes).

Podemos aproveitar e ir com o mesmo guião até à capela. E, diante do sacrário, dizemos apenas “A”. Nosso Senhor vai ficar contente. Um “azito” para Ele basta. Conhecem a parábola do pobre que não sabia rezar e que se limitava a declamar o alfabeto, para que depois Deus lhe ordenasse as letras numa oração com pés e cabeça? Não é preciso tanto. Com a colaboração do nosso “A” o Senhor nos dará tudo o resto: o AAAAMOR; a VIDAAAA; etecéterAAAA… Além do mais, depois de sair o “A”, não custa nada meter-lhe à frente um “H”. E assim se obtém uma exclamação com tons de louvor: “AH! Como é grande o nosso Deus!” Este “Ah!” pode até transformar-se num sorriso mais escancarado. Toda a gente sabe que Deus é humor. Também se pode acrescentar um “i”. Assim se exprime a nossa dor e recordamos o mistério da cruz. Um “Ai!” sempre vem a propósito (na semana santa).

Este princípio pode servir até para a vida. Se um dia nos levantamos sem energia para muitas falas, esforcemo-nos ao menos em distribuir um meio sorriso. Um pequeno esforço é suficiente para provocar uma reacção em cadeia e alegrar a alma dos que nos rodeiam. É como a sopa de pedra. O ingrediente pedra é apenas um excelente isco para obter umas boas couves… e um fiozinho de azeite, já agora.

Ok. Já sabem – aqueles meus amigos que estão há anos sem dar notícias – não há justificação para tanto apagão... é só digitar uma letra qualquer e enviar-ma assim mesmo, crua e sem tempero, que eu lá a cozinho. Mas não abusem.

26 - A alegria completa

– Netia-Itoculo/2003-2004 «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu. […] Pois esta é a minha alegria! ...