6 de abril de 2020

"Entrada messiânica, benção Urbi et Orbi"



Do nada Este aparece caminhando sozinho nas ruas, muito debilitado, pois, por razões de quarentena obrigatória, nem o jumento escapou; o Outro, acompanhado por uma dúzia de pessoas e por causa do cansaço, veio montado num jumento emprestado (um rei que nem um jumento tem, ao menos para constar no testamento); para Este não estava ninguém no local à espera, a não ser umas dezenas de câmaras e o silêncio, representando milhões; para o Outro estavam umas centenas de pessoas à espera, com ramos e cânticos: "hossana Ó Filho de David"; Este beijou a cruz e rezou (alguém já o tinha feito antes); o Outro lavou os pés, rezou, bebeu do cálice, e embriagado, carregou a cruz; Este, provavelmente, vai ser preso por desacato das ordens das autoridades, pois, quarentena obrigatória é para todos, mas Ele esteve a andar pelas ruas; o Outro foi preso, julgado e condenado; Este deu a bênção Urbi et Orbi; o Outro morreu, dando a vida Urbi et Orbi. Ora, o Espírito Santo está muito mais perto de nós do que imaginamos. Mas....

O mundo anda virado ao avesso, ninguém percebe e consegue explicar esta confusão toda e também constato que a crença das pessoas, num período crucial da história, também anda completamente baralhada. Uma das razões é quando estás em casa a verificar a carteira e a recheias de notas para ir a mais uma sessão de cura do pastor, e vês os teus amigos da assembleia partilhando na tua página uma informação que diz que o pastor suspendeu a sessão de cura por causa de uma doença que, infelizmente, não tem cura e que ele ainda não descobriu a reza que cure a tal doença. E grito: “Pastor, precisamos de ti para nos livrares desta doença” e o pastor diz “Eu não sou Deus; se queres a cura, fica em casa, mas mantém-te ligado à TV e à NET para acompanhar todas as atualidades”. Continuo, insistindo: "Mas nós pagamos-te pelas curas", mas o pastor realça: “O dinheiro não é mais importante do que a vida, meu servo fiel, portanto, fica em casa, guarda o teu dinheiro e acompanha as atualidades pela NET ou TV". Pois, as atualidades... Vejamos as atualidades.

 De Roma vem o pedido do Supremo Pastor, marcando uma data e hora, para a oração do Pai-nosso em comunhão com toda a igreja católica e os seus fiéis, especialmente pelas vítimas do grande inimigo invisível que anda vagueando pelo mundo. Mas será que, das inúmeras vezes, em que rezei o Pai-nosso fui egoísta? Não era em comunhão com todos os fiéis católicos da igreja?
De Roma vem também a "bênção urbi et Orbi" do Supremo Pastor e a situação de pânico agravou-se. Mau! A intenção do Pastor era de acalmar o pânico dos seus fiéis, seguidores, amigos, simpatizantes, etc. Sei que milhões tiveram a preocupação de acompanhar pela NET e pela TV; confesso que eu esqueci desta "cena" que o Pastor pediu, espero que não agrave o meu cadastro com S. Pedro.
Mas agravou o pânico porquê?
Simples! Vou explicar. Em primeiro lugar, estava a falar com alguém que me disse que esteve a acompanhar a "bênção urbi et orbi" e que foi uma grande seca, e, pela voz da pessoa, percebi o desespero e a dimensão da desilusão. Claro, nunca vais encontrar Deus na televisão, muito menos, os pedidos que Lhe fazes vão ser transmitidos em direto. O lugar de Deus é o teu coração, só aí, palpando o silêncio, podes conectar e comunicar com Ele em direto. Esta não é a primeira, não é a segunda e nem a terceira "benção urbi et orbi" que o Supremo Pastor já deu, enquanto aquece a cátedra de S. Pedro. Ah! Mas este é especial. Especial? Que tem este de especial? A indulgência plenária e a intenção pelo fim da pandemia Coronavirus. Oh! Desde há muito que nós andamos em pandemia, não sabias!? Acorda... Sem dúvida, esta bênção talvez tenha tido mais impacto, mais visualizações, porque, ao fim e ao cabo, ninguém quer morrer e o medo de morrer cedo, sem realizar os sonhos, as vontades, o desejo do fim da pandemia para retomar a vida normal, obriga as pessoas a invocar Deus, a rezar a Deus, por desespero. Nada mal, mas não é de livre e espontânea vontade, não é com o coração, não é com a alma, até porque, passando a pandemia, muitos dos que hoje estão fervorosos na fé vão fechar Deus no cacifo, e isto faz toda a diferença. Mas percebe-se, estamos numa situação em que a fé é comunicada mais no real virtual e digital. O problema que isso vai trazer, e acredito que ainda não estamos conscientes disso, são as versões da fé que venham a surgir, porque sabemos que, no real virtual, a cada dia temos novas versões que nos obrigam a atualizar mesmo que estejamos conformados com a nossa versão herdada de Abraão. E isto pode levar a fé ao esgotamento, ainda mais numa realidade em que o sistema é instável, vai sempre abaixo. Deus não precisa de microfones, de megafones, de equipamentos radiofónicos para comunicar connosco; "Fala, Senhor, que o teu servo escuta"(1 Sm 3, 9); Deus precisa é de falar mais no coração de cada um. Este barulho dos media nesta pandemia tem só atrapalhado a obra de Deus no meio de toda esta bagunça. O pensador Jesus Cristo dizia, em Mt 6, 6: "Tu, porém, quando partes, entra no teu quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu pai, pois ele, que vê o oculto, há de recompensar-te". O isolamento e o silêncio têm uma preciosa ajuda para combater este inimigo invisível. Mas o barulho que andamos a fazer e o caos que temos provocado, através dos media, não ajuda em nada.

Segundo, é que, como faço parte do mundo (penso eu), se calhar alguém roubou a minha bênção e, por isso, estou em pânico; vou ficar privado das Graças que esta bênção contém, porque acho que a bênção não chegou a mim. E a propósito disso já começo a questionar-me a mim mesmo se tenho fé ou não. E acho que muitos, neste momento, já começam a questionar-se e, no mais extremo, a abandonar a fé. O abandono da fé é uma das possíveis consequências desta passagem do Covid19. Embora, o otimismo nos leve a crer que o Covid19 vai recuperar a pedra angular, porém, rejeitada para a construção de muitas vidas que, com o tempo, os agentes erosivos destruíram. Portanto, estou baralhado.

Em terceiro lugar, o mundo, neste caso, os crentes, os cristãos, esperam pelo milagre; valia-nos mais uma aparição de Nossa Senhora. Mas será que é desta que vamos registar mais uma teofania na história? Não sei. Mas sei que o milagre que tanto se espera é que cada um se volte para si mesmo, bata à porta do seu coração até ela se abrir, entrar, reconciliar-se e fazer tudo de novo. Haverá milagre maior do que este? Duvido! Contudo, os cristãos dos novos tempos, sim; mas cristãos de modas, não.

Abraço fraterno do vosso amigo eleito
GDB, bênção urbi et orbi, 28.03.20 
#rumoaumcristianismomaisautêntico#

4 de abril de 2020

"Pistolas sem balas, Deus desarmado"

             

Numa partilha à mesa sobre a situação da rápida propagação do Covid19, o meu colega fez uma observação muito pertinente, diz ele: “Engraçado, os ateus não acreditam em Deus, (...) mas no Covid19 sim!". Pus-me a pensar (algo que gosto de fazer)... um ateu diz não a Deus e uma das razões talvez seja por Deus ser invisível; um cético duvida de tudo, se Deus existe, se Ele é tão bom e misericordioso, por que é que não elimina o Covid19?; ora, um cristão, não só aceita a existência de Deus, como lhe atribui toda criação, dos visíveis aos invisíveis. Posto isto, só faltava culpar os cristãos como responsáveis pela pandemia, se calhar portaram-se mal e foram castigados, e todos devemos juntamente com eles sofrer o castigo... Ainda bem que o Covid19 não é um castigo de Deus. Hoje todos acreditam na força e no poder do invisível!

Falar do Covid19 e de Deus é falar da guerra dos invisíveis. Um tira a vida, o outro dá a vida. O Covid19 é "invisível" a olho nu, e Deus também é invisível, mesmo a “olho vestido”. E, simultaneamente, Ele é tão visível, ao ponto de as objetivas do microscópio recusarem capitá-Lo. Para começar, parece-me, e espero estar enganado, que Deus não pode fazer muito por nós se não acreditamos Nele. Esta pandemia Covid19 tem produzido um efeito estranho nos donos da casa, isto é, fazer com que eles limpem o pó do nome de Deus.

O grande mestre revolucionário Emanuel (não o francês, Emanuel Macron), popularmente conhecido por Jesus Cristo, usava sempre uma expressão no fim de cada obra que ele realizava, que hoje nos deixa confusos: "A tua fé te salvou!” Será que a nossa fé pode salvar-nos desta pandemia, Covid19?! Este mesmo mestre, Jesus Cristo, num belo dia, desiludido com a crença dos seus discípulos, que não conseguiram expulsar o demónio de um jovem epilético, repreendia-os assim: "Em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: 'muda-te daqui para acolá', e ele há de mudar-se; e nada vos será impossível"(cf. Mt 17, 20). Se tivéssemos um grãozinho de fé, acredito que hoje estaríamos livres da pandemia. Por causa de uma fé <demasiado grande> (diria Tomás Halík), já se começa a ver Deus nesta pandemia do Coronavírus. Por favor, não metam Deus onde não é o Seu lugar! Convém sermos obedientes "e não invocar o Santo nome de Deus em vão".

No livro, A noite do confessor, de Tomás Halík, somos chamados a atenção do perigo de termos uma fé demasiado grande: "Por vezes, a «pouca fé» pode conter mais vida e confiança do que a «grande fé». Será que não podemos aplicar à fé aquilo que Jesus disse na parábola acerca da semente, que tem de morrer a fim de produzir grandes benefícios, porque desapareceria e não prestaria para nada se permanecesse imutável?" O grande risco dos cristãos é que isto de pandemia pode converter-se num panteísmo. Já se vê Deus nos médicos, enfermeiros, etc… Certo… Logo vai-se ver Deus nos ventiladores, nas vacinas, nas ambulâncias, nas camas, porque não?! E não me admirava nada que alguém me dissesse que o próprio Deus, por não obedecer as autoridades, saiu de casa e andou vagueando em todos os lados, foi infetado pelo novo coronavírus, mau!

Pistolas sem balas, cristãos sem fé; logo, Deus fica desarmado. E eis que o inimigo está a dominar tudo. Terá que vir o Gabriel e companhia de novo para acordar todos os Josés do sono e interromper a leitura de todas as Marias para lhes dizer que são a arma de Deus e que devem agir como tal. Mas vejo que o Gabriel está atrasado… mau! Uma das hipóteses que tenta justificar este atraso é o ensaio do coro dos anjos. Como o Gabriel é o organista mor, deve estar à espera do Miguel e ambos estão indecisos e com algumas dificuldades em descobrir se pertencem à naipe dos tenores, contraltos, sopranos ou barítonos. Enfim, coitados, percebem mais de "travar batalhas" contra o demónio do que cantar a vozes... mas ele virá! Paciência nesta quarentena por causa do atraso do Gabriel... ou talvez ele já tenha vindo e tenha sido ignorado! Aí a quarentena vai demorar mais um bocadinho, até que venha o mestre, que, como já está velhinho, demora mais tempo no caminho! Vale-nos a milícia celeste nesta luta contra o inimigo Covid19!

O Papa Francisco é, realmente, um homem de fé e humildade. Acredito que ele não age por iniciativa própria, mas, pela ação do Espírito Santo. Prova disso, foi o pedido da oração do Pai-nosso que ele fez a todos os cristãos. Perante esta calamidade, ele podia estar todos os dias a produzir orações, a gravar vídeos, etc. Mas, simplesmente, pede para rezar a oração do Pai-nosso, que é a oração de Jesus, que, para afiliação daqueles que não sabiam rezar, ensinou-os a rezar. A oração do Pai-nosso é a oração dos pobres, dos simples, dos humildes, dos fracos, dos menos intelectuais. E, nesta quarentena, basta a oração do Pai-nosso, mais nada. Estávamos a ver e a acompanhar que tudo que é feito pelo homem, pela sua iniciativa própria, corre mal; Coronavírus é um deles. É inútil andarmos a montar as palavras em forma de orações pedindo a proteção de Deus. Só o Pai-nosso nos basta quando é rezado com uma fé pequenina, igual a um grão de mostarda.

Abraço fraterno do vosso amigo eleito!
GDB, Pistolas sem balas, Deus desarmado, in pro-missão VIII; 26.03.20




3 de abril de 2020

"La Remontada (a reviravolta)"


Houve tempos, segundos antes da atuação do Covid19, em que a internet, os media, os telemóveis eram vistos como os culpados pelas mudanças pessoais, sociais e pela desvalorização da moral e da ética, sobretudo na camada juvenil. Os jovens foram vítimas da internet, pois passaram a ter comportamentos inadequados, dizem os graúdos! É verdade, tenho constatado isso, sobretudo nas missas, mas, muitas vezes, quando toca um telemóvel, digo a mim mesmo: é dos graúdos. E, na verdade, quando dou uma espreitadela é um graúdo que vejo a mexer-se atrapalhado a tentar desesperadamente desligar ou atender o seu telemóvel. São os únicos momentos em que adivinho. O meu truque é o som das chamadas que é qualquer coisa graúdo também. Mas o que mais me impressiona e, às vezes, me irrita é a incapacidade dos graúdos de usar a razão, quando alguns, até a meio da missa, atendem a chamada e falam tão baixinho que todos percebem que está falando para Deus. Chegamos ao ponto em que desligar ou não atender uma chamada é pecado. E o sacerdote, presidente, como é natural, fica incomodado, chateado, de rosto desfigurado, e, oportunamente, aproveita a homilia para dar uma descascadela na assembleia dos graúdos.

Primeira reviravolta: em várias assembleias, antes do sino de entrada, pede-se para desligar os telemóveis ou pôr em modo de silêncio, para não haver interferência com a santa missa. Acho bem e deve ser. Mas, hoje, o cenário é outro, face a esta pandemia que obriga todos a ficar em casa, a Igreja, na sua estratégia, para levar a palavra de Deus a todos, manda ligar a TV, ligar o rádio, aceder à internet para ouvir, assistir, ou acompanhar a santa missa; estes que outrora eram tidos como "inimigos". Belo dia, pego no meu smartphone, ligo a net, abro o meu Facebook e a minha primeira reação: "Olha, que engraçado! Estão a dar várias missas no Facebook, deixa-me aproveitar já que não posso sair de casa para ir a igreja!” De facto, o meu Facebook nunca esteve tão cristão como agora. Mas disse o Papa, na sua audiência semanal, a 26 de fevereiro de 2020, Quarta-feira de Cinzas e no início da Quaresma para católicos de rito latino: "É a hora certa de desligar a televisão e abrir a Bíblia. É a hora de desconectar os celulares e nos conectar ao Evangelho". Quando o impossível parece possível, concordo com o Papa; missas on-line parecem-me mais uma sessão de cinema do que uma celebração eucarística. Estamos de quarentena, vamos desligar tudo o que nos prende aqui, e voltemos à igreja primitiva, pois, cada lar, cada família, é uma igreja. Que mania de transmitir missas on-line!

Uma segunda reviravolta: depois do Covid19, há fortes perspetivas de mudança de paradigma do mundo; umas dessas mudanças que, pela segunda vez, vai surpreender a Igreja com uma reviravolta inesperada, a de que todos os padres devem formar-se em comunicação social, uma vez que, depois de três meses ou mais de quarentena, os fiéis vão habituar-se a missas on-line e, mesmo acabando a quarentena, vão querer continuar com estas celebrações virtuais. A oração é a única rede invisível, mas que é real, a que todos nós devemos aceder, até porque é a única que nos pode garantir a comunhão, a ponte, com Deus e entre todos nós. Hoje, as basílicas, as capelas, as sinagogas, as plataformas digitais não nos servirão de nada, mas só e apenas a oração nos serve perfeitamente; é sapato que tem todos os tamanhos disponíveis para os diferentes tipos de pés dos cristãos.

Uma terceira reviravolta: houve tempos em que a Igreja apelava ao abandono das zonas de conforto, isto é, deixar famílias, casa, televisão, internet e ir às periferias; hoje a frase mais usada, mais lida em todos os lados, da parte dos governos e da Igreja é: "fiquem em casa", ou seja, não precisas de ir para a rua, ir à praia, a casa de um amigo, ao trabalho; cria a tua zona de conforto em casa com a tua família! Que reviravolta! Andamos assim, numa fase de desilusões; tudo que tínhamos dito ou feito, antes do covid19, merece ser revisto, relido e repensado. Estamos a viver um momento único na história e felizes somos nós que estamos a ver isso, a ver o mundo parado, porque quando cantarmos isso aos nossos netos vão pensar que é só mais uma lenda ou, na pior das hipóteses, uma história inventada pelo avô, como ele já é graúdo!

Abraço fraterno do eleito...
GDB, La Remontada (A Reviravolta)! 22.03.2020

31 de março de 2020

"O Xeque-mate"




O excesso de velocidade, apesar de ser altamente perigoso, dá a sensação de que está tudo bem; e melhor ainda se for no Jaguar ou Ferrari(imagino mais pelo preço), pois dá a sensação que está-se mesmo parado no tempo. Mas, mas, basta uma pedrinha, um obstáculo imprevisível, aparecer a frente damo-nos conta que estamos em alta velocidade e que já é tarde para travar; há um ditado que convoca todos os condutores à prudência na estrada, que diz assim: "mais vale um pé no travão do que dois no caixão". Pois, mas há casos que nem um pé, nem dois chega, é o próprio condutor no caixão. É preciso algo que justifique a expressão, "aparatoso acidente", muito corrente na fala dos jornalistas nos relatos a respeito dos acidentes de viação. Estava tudo mal, o mundo andava mil a horas, mas a sensação era de que, aparentemente, estava tudo bem. Não faltou placas, perante a correria desenfreada em que se tornou o nosso habitat, a dizer: "tenham calma, mais vale um pé no travão do que dois no caixão". 
Talvez não foi dito expressamente assim, mas os cientistas de uma forma ou outra, paralelamente, disseram: "estamos em emergência climática; é urgente mudar; aquecimento global". Hoje, fruto dessa desobediência, embora não se trata do cenário do jardim do Éden, muitos condutores já foram parar ao caixão com os pés e tudo, porque usar travão é para os "maçaricos" (os fracos/aprendiz). Acho que depois de ultrapassar o covid19 o slogan dos carros de condução, "atenção sou aprendiz" deve mudar para "atenção uso travão", de modo a evitar acidentes aparatoso, como covid19 que já ceifou milhares de vida, sem falar dos outros milhares de ferimentos ligeiros e graves. Hoje o cenário seria bem diferente se na hora certa alguém lembrasse de pôr os pés no travão, parar a viatura, e desligar os motores. Mas na vida prática dá mais prazer acelerar do que travar. Somos mais apaixonados para o barulho e fumo do que pelo silêncio. Xeque-mate!
O jogo de xadrez nunca foi jogado ao mais alto nível na história como se joga hoje; hoje para jogar xadrez não é preciso whisky (à patrão), não é preciso falar dos projetos milionários enquanto se joga, até porque hoje só há um único projeto, "salvar vidas", que não é um projeto milionário mas tem devorado a economia global, etc. E perguntas, porquê? Sabes, é que nosso adversário é invisível: O covid19. O rei, a rainha, cavalos, torres, Bispo (embora que o papa tem mais puder), peões, estão todos em perigo, preste a um imprevisível, a um inevitável, xeque-mate!
Parece-me que quase tudo está fechado, escolas, fronteiras, igrejas, empresas. Xeque-mate! Coronavirus? O que é isso? Primeira definição e primeira resposta: É um vírus, família do vírus SARS, que já infetou centenas de pessoas desde o início do surto em Wuhan, na China... Ah isto é lá com os chineses, não chega aqui". Para quem pensou assim, sendo eu um deles, Xeque-mate!
Não há missas, não há celebrações da semana santa, comunitária, não há catequeses, confissões, etc. O quê? Os bispos não estão a bater bem. Como pode ser isto, um vírus lá na China, que muito provável não vai chegar aqui, vai cancelar tudo, isto é um absurdo, não concordo. Desculpe Sr. Bispo acho a sua decisão precipitada. Pois, para os conservadores, tenho pena, mas... Xeque-mate! Coronavirus na china? “Ó pah já obtive esta informação, que chatos! Coronavirus na europa?! Ah que informação dramática!” Por causa de um vírus o país vai ficar de quarentena? Isto é mais uma manobra suja da política e de quem o faz. Até podia ser, mas olha... Xeque-mate!
Enfim, aproxima o fim da jogada e estamos a perder. Mas o que me consola é que qualquer adversário, por mais poderoso que ele é, tem o seu ponto fraco. O ponto fraco do covid19 é simples, até um recém-nascido consegue vence-lo, basta deitar quietinho no berço, ou ficar em casa. É a nossa única oportunidade de dar um xeque-mate depois de levar tantos. Fique em casa, proteja o teu rei, a tua rainha, o teu bispo (insisto que devia ser o papa), os teus cavalos, a tua torre, os teus peões, e juntos, como equipa, com atitudes, avancemos para a grande jogada fatal, ou derrotamos de vez o adversário ou seremos derrotados por ele. Mas temos 99% de dar, usando a tática de "ficar em casa", um grande xeque-mate nesta jogada de xadrez contra o adversário invisível. Sejamos solidários, mesmo que no teu país ainda não se deu início ao campeonato do xadrez, fique em casa por uma de comunhão com os que estão em pleno campeonato, sobre tudo para aqueles que são cristão, está é a hora de demonstrar o amor pelo teu próximo! Todos nós juntos somos capazes de dar ao nosso adversário invisível um grande xeque-mate!

Abraço fraterno do vosso amigo eleito.
GDB, xeque-mate, pro-missão VI, 25.03.20.

30 de janeiro de 2020

ANIMAR E EDUCAR


Em 2020, e nos dois anos seguintes, a animação das comunidades cristãs e a atenção especial à pastoral educativa são os dois âmbitos de acção que a Diocese de Nacala traçou como prioritários, definido no objectivo geral: «Promover comunidades vivas com pessoas mais instruídas».

Em São José – Itoculo também vamos trabalhar com estes dois verbos: Animar e Educar. Isto não significa que estamos desanimados, nem somos mal-educados. Mas queremos trabalhar para trazer novo dinamismo às nossas comunidades cristãs e reforçar a educação com novas linhas de acção, num trabalho conjunto e mais assertivo. Aliás, são duas realidades pastorais que já fazem parte do nosso dia-a-dia, e que justificam a nossa presença missionária.

ANIMAR

A vida e o exemplo dos primeiros cristãos, que podemos ler em Act 2,42: «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações», são uma referência a considerar. Assim, a formação humana e cristã, a vida de comunidade comprometida e fraterna, oração cuidada e constante, e partilha solidária e generosa, são os pilares para uma verdadeira animação das nossas comunidades.

Em Itoculo, as nossas 83 comunidades cristãs ministeriais, espalhas pela paróquia, são muito diversificadas. Umas são grandes e animadas, outras são pequenas e fracas; umas são organizadas e participativas, outras são desorganizadas e desleixadas; umas são criativas e acolhedoras e outras são inconstantes e passivas... E poderíamos continuar esta lista de adjectivos qualificativos com os seus antónimos. Também é verdade que dentro da mesma comunidade se verificam estas realidades em simultâneo. Afinal, a vida é assim mesmo, feita destes contrastes, de altos e baixos, de sucessos e fraquezas.

Para uma boa animação comunitária é importante ter prioridades bem definidas. Uma vida espiritual profunda e as celebrações bem cuidadas facilitam a atenção aos mais pobres e as acções conjuntas em favor da própria comunidade local e do conjunto de comunidades onde está inserida (Zona, Região, Paróquia e Diocese).
Uma marca para este ano pastoral será a entrega de uma imagem sagrada de Maria e/ou Padroeiro para cada uma das comunidades, que o P. Manuel de Brito (Portugal) generosamente ofereceu. Estas imagens serão, certamente, uma referência para a nossa vida cristã que tem nos santos um modelo de vida a seguir.

A criação da nova região de são Paulo – Monetaca, vai obrigar a um novo ritmo pastoral de visita às comunidades e de formação dos ministérios nos centros regionais. Acreditamos que esta mudança poderá trazer um novo dinamismo e mais animação. Igualmente ao potenciar e formalizar os ministros do acolhimento com veste própria e distinta, levará a celebrações mais organizadas e participativas. Enfim, reforçar o sentido de serviço gratuito e generoso.

EDUCAR

O nosso compromisso cristão não é apenas eclesial «ad intra», mas abrange todo o meio envolvente. Por isso neste ano nos propomos ter um olhar mais atento e eficaz ao mundo da educação, quer potenciando as escolas existentes, quer criando novas maneiras de desenvolver a educação das crianças e jovens. Um maior envolvimento de todos os agentes educativos poderá ser a chave da mudança de um sistema de ensino com muitas lacunas. Igualmente a criação de escolinhas (pré-escolar) poderá trazer um novo e mais eficaz estilo de aprendizagem.

As obras educativas existentes na missão de Itoculo (lares de estudantes – rapazes e raparigas, escolinha, biblioteca e centro de estudos e reforço escolar, etc…) irão merecer maior atenção da nossa parte, reforçadas com o apoio solidário via Ernestina Falcão. Vamos também avançar com o apoio directo às crianças da primeira classe com um kit de material escolar (pasta, caderno, caneta, lápis, borracha e afia), incentivando ao estudo e à aprendizagem para combater a ausência e o insucesso escolar. Um projecto coordenado pelo P. Mário João que irá abranger as 37 escolas primárias com mais de 5 mil alunos.
Com todo este empenho estaremos aptos para exigir que as famílias inscrevam os seus filhos na escola e a comunidade local se envolva neste assunto da educação dos seus membros mais jovens. Por outro lado, damos seguimento à orientação diocesana admitir aos Sacramentos aquelas crianças que frequentam a escola ou cujas famílias inscreveram os seus filhos na escola.

Assim, ANIMAR e EDUCAR são as duas tarefas que nos vão ocupar (e preocupar) neste ano 2020, sem descurar tudo o demais. Contamos ainda com a intercessão e a protecção de São José, nosso Padroeiro, para uma maior animação e uma boa educação.

23 de janeiro de 2020

O DESAFIO DE RECOMEÇAR


A nossa vida se realiza num constante recomeçar: ainda há pouco, mais um ano civil terminou e um novo começou, mais um ano lectivo se fechou e em breve um novo abrir-se-á (com novas propostas, promessas e compromissos); o ano pastoral segue o mesmo rumo, o mês, o salário, etc.
                E nós, como nos situar neste vai e vem constante? Somos todos seres temporais e não escapamos a essa sucessão. Mas não somos meros indivíduos absorvidos e manipulados pelo tempo (alguns podem ter ponto de vista diferente, mas eu penso assim mesmo). No meio desta sucessão somos convidados a ter uma palavra. Cada um de nós pode escolher de onde recomeçar, pois se fôssemos obrigados a recomeçar do zero em cada mudança do tempo, penso que seríamos, rapidamente, abraçados no colete-de-forças que é o desespero e o desânimo.
                Felizmente para nós assim não é. O tempo volta ao início e somos desafiados a recomeçar, mas num horizonte de esperança e de confiança, tal lutador que se alegra diante do desafio, pois o pensamento é único: a superação. Os desafios, ainda que nos venham do exterior, são para ser superados e não para nos afogar e fazer desistir.
               

Jovens da paróquia, no momento de animação, depois da eucaristia
Nós, que vivemos nesta missão de Itoculo, também não nos furtamos a esta sucessão temporal, com os seus desafios que nos enchem de alegria e nos fazem sentir mais vivos e fortes para enfrentar os mesmos. O ano 2020 chegou, o ano pastoral e lectivo estão à porta. Os anos passados também foram assim, mas o que marca a diferença SOMOS NÓS. As experiências que fizemos no passado enriquecem a nossa resposta diante dos novos desafios: certamente vamos encontrar caras novas (já estou a pensar nos novos “inquilinos” do lar de estudantes que estão para chegar e os antigos que vêm com as suas mudanças, sinal de crescimento), temos que pôr em prática o novo plano pastoral da diocese (para os próximos 3 anos), uma nova organização paroquial nascente (geográfica e pastoralmente falando); e mais incrível é que até as estradas que percorremos na nossa missão diária nos presenteou com muitos novos buracos (alguns já são candidatos a passar a categoria de crateras), que são excelentes antídotos contra a monotonia das viagens. Mas tudo isso nos dá um alento extra, uma ansiedade nova e, também, algum “friozinho na barriga”.
A equipa missionária de Itoculo, com as irmãs da missão de Ocua e jovens em formação
Nisto tudo, nasce ou renasce uma nova certeza que é de lutar para atingir os objectivos Assumidos. O batalhão está pronto para a luta as energias foram renovadas e as experiências aprimoradas. Passou o tempo dos desejos para a meia-noite da passagem de ano e estamos em tempo de arregaçar as mangas (e dar corda aos sapatos) para os concretizar. O que a nossa equipa missionária deseja para todos é que este tempo seja vivido na alegria, esperança, fé em Deus e muita comunhão… que ninguém se sinta desanimado, desencorajado ou desesperado; o tempo passa! Que ele nos transforme sem nos levar com ele, pois é preciso estar aqui no próximo recomeço.
Bem Haja!!!!

20 de dezembro de 2019

ITOCULO AGRADECE


Com as festas de Natal encerra-se o ano em curso e abre-se portas ao novo ano 2020. É tempo de avaliar e programar, tempo de agradecer e de fazer novos propósitos, tempo de fechar contas e abrir novas possibilidades.


Como uma viagem aberta ao futuro, nunca falta olhar para a retaguarda, como num espelho retrovisor. Esta maneira de viajar nos permite avançar com mais confiança, saber o caminho percorrido, valorizar os sucessos alcançados e evitar erros cometidos. Mas o caminho é sempre para a frente.

Fomos brindados com muitos dons e gestos generosos. Com isso muitas maravilhas se realizaram em Itoculo. Contrariando as forças hostis da natureza, com ventos e chuvas intensas, conseguimos levantar e cobrir várias habitações familiares e comunitárias. Algumas famílias foram ajudadas pontualmente. Também conseguimos ampliar os espaços da biblioteca paroquial para novas valências e construir um depósito de água para o lar de estudantes. Igualmente a criação de frangos e galinhas poedeira deu o seu pontapé de saída. Tudo isto não passa de uma gota de água no oceano, mas que aqui faz muita diferença.


Iniciamos o ano 2019 acolhendo duas jovens voluntárias (Cristina e Gabi) para um exercício missionário de longa duração. A meio do ano chegou o grupo Nakumi, com o P. Cláudio e onze paroquianos de Vitorino dos Piães-Portugal, que possibilitou uma troca de experiência missionária e o abrir de portas a novos projetos solidários. Em agosto veio o P. Mário para um ano de pastoral missionária, e quase que chegava acompanhado das irmãs espiritanas da nova comunidade missionária de Ocua.


Internamente recebemos a visita do P. John Dimba, Assistente Geral da Congregação do Espírito Santo, os colegas espiritanos de Nampula, Beira e Inyazónia-Chimoio. E por fim o Superior Geral, P. John Fogarty, que encerrou, em alta, as visitas fraternas e amigas, sempre bem-vindas a Itoculo.

Muitas outras pessoas nos marcaram este ano, mesmo não se fazendo presentes pessoalmente, mas contribuindo para que dia-a-dia pudéssemos levar a cabo o projeto missionário de Itoculo. Na verdade, foram muitas e generosas, essas pessoas irmãs, amigas e simpatizantes de Itoculo, que aqui quero recordar e agradecer. Ao mesmo tempo garantir a nossa comunhão e oração missionárias. Que Deus abençoe a todos e sempre cumule das suas graças divinas.

Para o futuro outros vão chegar e partir. Nós vamos acolher, integrar e potenciar. Já temos uma orientação do caminho a percorrer que tocará a vida das comunidades cristãs e trabalho na área da educação. Igualmente um novo ritmo pastoral queremos implementar com a criação da nova região paroquial em Monetaca. Entre outras iniciativas, estas serão as prioridades pastorais para as quais também temos grandes expectativas.


Termino desejando um Santo e Feliz Natal e próspero ano 2020, a todos aqueles que, de uma maneira ou outra, estiveram unidos a Itoculo. Um abraço missionário.

26 - A alegria completa

– Netia-Itoculo/2003-2004 «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu. […] Pois esta é a minha alegria! ...