22 de abril de 2012

a história da nossa igreja
Diocese de Nacala,
Paróquia de Itoculo,
Região de Djipwi,
Zona de Cristo Rei,
Comunidade de Havara.

Primeiramente vamos agradecer o nosso padre por causa de presidir neste dia 8 de abril de 2012, para fazer a festa do baptismo, reunida por 7 comunidades aqui de Havara.

A partir de 2001 nunca existiu festa como hoje. Nós de Havara gostamos de apear para noutras comunidades para conseguir o baptismo, assim como casamento canónico. Mas hoje 8 de abril já temos aqui a nossa igreja.

Os antigos desta zona nunca tinham igreja neste círculo. Rezavam em Santa Maria Turra. Então o órgão da povoação de Havara foi pedir uma igreja para construir neste recinto. A nossa igreja foi criada com o padre Gino no dia 13 de agosto de 1984. Em 1986 entrou a guerra da FRELIMO e RENAMO. Fomos recuados e fomos construir a nossa igreja no lado Narrupe. Lá rezávamos bem e tínhamos machambas e outras coisas.

Quando acabou a luta, voltamos para cá e construímos a nossa igreja Santa Teresa 15 de outubro. Nessa altura éramos mandados em Thamela. Aos poucos anos virámos a nossa porta para ser orientada na zona de Cristo-Rei.

Entraram 6 anciões. O antigo morreu vítima de doença. O que temos neste momento é repetente. Agradecemos muito porque o nosso animador quando continuou o seu ministério organizou uma ideia para melhorar a nossa igreja. Vamos dar um grande abraço ao nosso ancião.

Inauguração

Em 2011 o nosso ancião junto com os conselheiros fizeram uma conferência de maneira como construir nova igreja. No diálogo aprovou o resumo que diz: «cada pessoa tirar 200mt». Nós os cristãos de Havara gostamos imenso da contribuição no valor combinado. No meio da contribuição começamos a construir. No dia da maticação, era no tempo do verão, não havia água suficiente, mas o Espírito Santo estava connosco. No período de 14h foram concluídos. Vieram 85 pessoas. Os jovens entraram no bosque e conseguiram 50 barrotes de 4 metros. Lá no mato ninguém recebia dinheiro. O nosso ancião levou o dinheiro para a paróquia e foi dado ao padre para comprar chapas de zinco. Então chamamos o nosso mestre para telhar a nossa igreja e foi concluída em 3 dias. A nossa igreja entrou 45 chapas, cada chapa custava 250mt, e 5 kilos de pregos, cada kilo de 100mt. A partir do início até na finalização mataram 12 galinhas e 25kg de farinha celeste. De chapas até pregos gastamos 11.750mt. Temos 1 hectare de algodão.
Hoje é dia de inauguração, todos vamos ficar alegremente: papás vamos aplaudir, mamãs tocar ilulu e jovens canções de animação, porque Santa Teresa Havara cresceu. Estávamos na escuridão, a luz do Senhor nos iluminou.

8/4/2012
Visto por ancião, Bonifácio António Mesquita

11 de março de 2012

cultura macua
pontos positivos

Estamos sempre a aprender. Mesmo quando o assunto se repete, há sempre uma perspetiva nova que se descobre e que chama a atenção. É assim também com a vida missionária nesta cultura macua onde nos encontramos e onde cada dia descobrimos coisas novas. Uma partilha fraterna do professor Alberto Viegas, um macua de raiz, faz um resumo dos aspetos positivos da sua cultura que partilhamos aqui.

Cultura do respeito
Respeito aos pais, aos mais velhos, aos chefes e outros dignitários da comunidade, aos vizinhos, aos conhecidos ou estranhos. Por este motivo não tratamos por «tu» o indivíduo que não seja da nossa idade e que não tenha sido nosso condiscípulo nos ritos de iniciação sociais para a vida adulta. Até entre marido e esposa não existe o tratamento por «tu».

Mesmo uma criança que não seja nossa ou muito conhecida de nós, nunca é tratada por «tu», para incutir nela o hábito de tratar os outros com respeito.

Em situações normais as nossas casas nunca estão próximas umas das outras, nem tão pouco pensamos em casas geminadas. Precisamente para evitar que por tudo e por nada se conheçam e se vivam os problemas particulares que, por natureza humana, se passam em cada lar. Conhecer e divulgar tais problemas é falta de respeito. «Ottittimihana Muluku orooruuha; anaphulu aniteexana ehirowaka otthu», isto é, «o respeito vem de Deus; os sapos carregam-se uns aos outros sem irem a lado nenhum» - diz o nosso povo.

Cultura do perdão
Isto encontra-se sintetizado no proverbio macua que diz: «Ntata nivanre mahirryaakhu khaninthikiliwa», isto é, «a mão que se sujou no excremento não se corta, lava-se». Querendo
com isto dizer que não se deve destruir o indivíduo que ofendeu a alguém, mas sim, criticá-lo ou mandá-lo pagar alguma indeminização, se for o caso, e reconduzi-lo ao bom procedimento social.

Cultura de reconciliação:
Quando dois indivíduos estão em litígio um com o outro, apresentam o problema em primeiro lugar aos familiares mais idóneos e influentes para o resolver, recorrendo a instâncias superiores somente em caso de não se ter conseguido soluciona-lo no primeiro nível.

Uma vez resolvida a questão segue-se a realização de um pequena cerimónia de reconciliação, na qual se toma uma refeição ou uma bebida em comum entre os familiares dos dois que estiveram
em conflito, devendo estes comer juntos no mesmo prato e beber na mesma cabaça, ou copo, e no fim apertar-se mutuamente as mãos em sinal de restabelecimento da harmonia que se havia quebrado.

Pequenas e simples estas cerimónias, mas de profundo e significativo valor moral. Se daí em diante algum deles demonstrar atitude de quem guarda rancor ao outro é condenado ao isolamento pela comunidade, como pessoa intolerante e sem compreensão pelas fraquezas dos seus semelhantes.
Cultura da paz
Paz com a família, com as outras pessoas e outros povos, sendo que por isso ao longo dos séculos da nossa vivência social nunca nos veio à cabeça o pensamento ou o desejo de ir conquistar, dominar e impor as nossas ideologias a quem quer que fosse. Pois que isso provocaria conflitos que estragariam a nossa paz e a dos outros.
(Prof. Alberto Viegas)

27 de fevereiro de 2012

havemos de ir…

Raul Viana
Itoculo

Havemos de ir… hei-de fazer… hão-de chegar… hás-de conseguir…

Estas e outras construções verbais parecidas são muito comuns neste meio sociocultural do norte moçambicano. É o uso frequente da conjugação perifrástica caracterizada por uma acão continuada ou a realizar num futuro próximo.

À primeira vista não há nada de especial nesta forma de falar gramaticalmente correcta. Porém, como acontece com toda a língua viva, ela está em estreita sintonia com o estilo de vida dos seus palradores. Ora isto nos permite descortinar um pouco do «porquê» deste uso frequente, e até mesmo excessivo, da perifrástica.

Situados neste contexto macua do interior, facilmente constatamos a precariedade existencial deste povo marcada pela escassez de meios de transporte, sem condições sanitárias suficientes, instalado no interior da savana e muitas vezes isolado, limitado aos interesses de uns quantos comerciantes que os exploram... Enfim, vivendo muitas vezes ao ritmo da natureza. Tudo isto faz com que nada seja feito com exatidão precisa no espaço nem haja qualquer previsão rigorosa no tempo, pois não há garantias de que se consiga alcançar a acção determinada por razões internas e externas à própria pessoa.

Uma doença, uma infelicidade, uma indisposição… são razões suficientes para faltar a uma reunião atempadamente marcada. A fraca alimentação, desnutrição, o próprio clima, as grandes distâncias a percorrer a pé ou de bicicleta, justificam estas ausências. Não ignoramos também que muitas vezes é apenas falta de motivação, elemento causador e resultante desta situação.
Mas tudo isto justifica muito bem a construção perifrástica onde está presente essa boa intenção inicial, mas sem garantias de se efectuar no imediato, pois é grande o conjunto de realidades que impedem essa concretização. Assim, evita-se a mentira e assume-se o descompromisso. Deste modo vai-se vivendo…

Por um lado, esta é uma opção saudável de viver sem stress nem pressionada pelo tempo. Por outro, é prova imediata de um desenvolvimento que avança num ritmo lento.

9 de fevereiro de 2012

coisas significantes
Joana Cruz
Itoculo
Coisas insignificantes foi um dos últimos textos que li no blog ainda antes de preparar a mala rumo ao local onde essas mesmas coisas aconteciam… E hoje de forma abusiva, uso-o com alterações e escrevo… coisas significantes e com um significado que por si só já significa tanto…
Querer passar para uma folha o significado de cada momento é algo que não sou capaz de fazer… por isso, e sem grandes presunções, escrevo sobre coisas simples que me marcam…

E então surge o primeiro de todos os problemas, seleccionar apenas uma ou outra coisa… num sítio onde cada dia há uma descoberta, há um reaprender a estar… poderia escrever sobre a vida simples que me é apresentada… aqui os sorrisos e olhares das crianças são, para mim, das mais belas formas de comunicar… Alguns não entendem português e eu nada sei de macua e então falamos com sorrisos, com expressões corporais… um ar mais sério, agora mais risonho… E vejo alguns deles, os mais reguilas, a imitar alguns ‘tiques’ que tenho, e delicio-me… Poderia escrever sobre as adolescentes já com filhos ou sobre a escola, onde aprendo a ensinar… mas escolhi partilhar a minha primeira plantação nesta terra em que a chuva faz germinar de forma rápida o que é lançado à terra…
A menos de 24h de ter chegado a Itoculo o sr Bernardo, jardineiro, desafiou-nos a plantar qualquer coisa, segundo ele, caso a plantação germinasse iam associar a nós aquela planta… e lá fomos até a machamba, com uma enxada com um cabo pequeno, pronta a aprender a plantar a árvore que dará mangas (um dos frutos com que me delicio)… Nesse dia não apenas aprendi a plantar mangueiras, mas aprendi o valor da missão… O que eu plantava era resultado dos viveiros da Ernestina… E então pude mais uma vez comprovar que em nenhum momento caminhamos sozinhos, todos os que cá passam deixam / plantam viveiros, para outros transplantar e de futuro outros colherem… Esta machamba é minha e de todos e que arriscam pegar na enxada de cabo curto, fácil de transportar e de forma fácil ir plantando ou transplantando!

20 de janeiro de 2012

investimento e/ou exploração


Raul Viana
Itoculo

Investimento e exploração são duas realidades distintas que por vezes se confundem. No quadro do desenvolvimento socioeconómico podemos dizer que significam dois procedimentos bem diferentes. Enquanto o investimento se centra no emprego de capitais para a aquisição de bens de equipamento com o fim de obter algum proveito comum, a exploração como descoberta e investigação procura fazer uso da boa-fé de outrem para auferir benefícios particulares. No primeiro caso há uma noção de ajuda reciproca e uma perspectiva de futuro promissora. No segundo caso parece haver apenas o objectivo de um benefício privado, limitado no tempo e no espaço. Podemos dizer que o investimento gera riqueza enquanto a exploração gera ricos.

Anos atrás o continente africano era tido como insignificante do ponto de vista económico. Hoje, porém, verifica-se que existe um interesse particular pelos recursos minerais, florestais, agrícolas, etc… Novos investidores e exploradores estão a penetrar todo o continente oriundos da Índia, China, Brasil, África do Sul, Malásia…
Olhando a realidade moçambicana, verificamos que o panorama socioeconómico nacional recheado de um bom grupo de multinacionais, contrasta com o 184º lugar do ranking mundial de desenvolvimento. É caso para nos questionar se estamos diante de um plano de investimento ou de exploração?
Vejamos algumas coisas em concreto:

- Fábrica de fundição de alumínio em Bululuane (Província de Maputo): multinacional Mozal (maioritariamente detida pela BHP Billiton);

- Plataforma de exploração e exportação de gás natural de Pende e Temane (Província de Inhambane) – companhia petroquímica Sasol (RSA);

- Minas de areias pesadas de Moma (Província de Nampula): multinacional irlandesa Kenmare;

- Minas de carvão de Moatize e Benga – carvão puro de primeira qualidade (Província de Tete): companhias multinacionais Vale do Rio Doce (Brasil), Riversdale e Jindal (India);

- Vários projetos de pesquisa de hidrocarbonetos (gás e petróleo) na bacia do Rovuma (Província de Cabo Delgado) e no Zambeze (Províncias de Sofala e Zambézia); em Inhaminga (Província de Sofala): companhias petrolíferas Anardako (USA), Statoil e DNO (Noruega), Eni (Itália) e Petronas Carigali (Malásia).

Esta lista pode ser acrescentada se atendemos à exportação descontrolada de madeira exótica e de pedras semipreciosas, entre outras coisas, que saem diariamente pelos portos marítimos. Se tudo isto fosse considerado investimento, há já muito tempo que a situação socioeconómica do
país seria diferente e o nível das pessoas seria bem superior.
Mas ao que parece não faltam exploradores da riqueza moçambicana, pois o produto é bom e a legislação é carente de rigor. Multinacionais que despenderiam grandes quantias para respeitar os Direitos Humanos ou proteger o meio ambiente noutros países, encontram em Moçambique o oásis para aumentarem o seu potencial económico.
Alegando que não é possível exigir demasiados direitos fiscais às companhias para não perder os investidores/exploradores, o Governo de Moçambique, e todos os moçambicanos ficam apenas com as migalhas dessas companhias e multinacionais. A falta de quadros técnicos, por exemplo na área da geologia, da antropologia, da sociologia, etc…, misturado com níveis altos de corrupção, fazem com que a pobreza em Moçambique seja uma realidade com tempo indeterminado. Neste sentido, vale a pena perguntar até que ponto a Comunidade Internacional não poderá intervir para obviar esta situação?

Como missionários espiritanos junto dos pobres e oprimidos, ao lado dos desfavorecidos individual e colectivamente, queremos tomar parte pelo desenvolvimento, agindo em favor da justiça e paz e integridade da criação, como «advogados e defensores dos fracos e pequenos, contra todos aqueles que os oprimem».

6 de janeiro de 2012

MOÇAMBIQUE
2012

Retrato de Moçambique em números segundo o Banco Mundial, The Economist Intelligence e Organização Mundial do Comercio:

«A população total do país atinge os 23,4 MILHÕES. Mais de 50% da população moçambicana tem menos de 15 anos de idade. A taxa de analfabetismo atinge 55% dos cidadãos adultos. A economia nacional está a crescer 8% ao ano e cerca de 80% da economia advém da agricultura. O tempo médio de abertura de um negócio no país é de 13 DIAS. Em 2010 o PIB atingiu os 9586 MILHÕES de dólares. O rendimento por habitante é de 428 DÓLARES. As importações têm um peso de 43,2% do PIB e a balança comercial do país é equivalente a 75,3% da riqueza gerada no país. A esperança média de vida à nascença é de 49 ANOS e a pobreza atinge mais de 55% da população. Cada mulher tem, em média, 5 FILHOS. Cerca de 2 MILHÕES de moçambicanos utilizam o telemóvel e apenas 600 mil utilizam a internet. Na capital do país, Maputo, vivem cerca de 1,9 MILHÕES de habitantes. 39% dos deputados com assento no Parlamento é do sexo feminino. Armando Emílio Guebuza foi reeleito em Outubro de 2009 como chefe do Estado e o Governo. Também em Outubro de 2009 Aires Bonifácio Ali foi eleito como primeiro-ministro. As próximas eleições presidenciais, legislativas e provinciais deverão ser realizadas em simultâneo, no final de 2014. A atual Constituição data de 30 de Novembro de 1990 e foi alterada em 1996 e 2004. Cerca de 50% da população professa religiões tradicionais africanas. O parque nacional da Gorongosa tem uma dimensão de 4000KM2 e é uma das maiores atrações turísticas do país. Cahora-Bassa é a maior barragem em volume de betão construída em África, tendo capacidade para produzir mais de 2000 MEGAWATTS de eletricidade. Moçambique tem uma área de 799 380KM2, sendo que 49,6% do território são floresta e apenas 5,7% são terra arável. A emissão de dióxido de carbono no país não chega a 0,1 TONELADAS por habitante. Existem no país cerca de 10 VEÍCULOS por cada quilómetro de estrada».
Estes elementos foram publicados na EXAME, revista de economia e negócio, numa edição especial sobre Moçambique (Dezembro de 2011) a qual faz uma radiografia do país que nos permite conhecer melhor a realidade moçambicana e ler os sinais de uma economia em mudança. Segundo esta revista, Moçambique tem uma economia vibrante, situada entre as 10 mais dinâmicas do mundo, tal como referem os dados do Fundo Monetário Internacional, um facto que está a despertar a atenção dos media internacionais e dos investidores de todo o mundo. Contudo, ainda há desafios a vencer, sobretudo ao nível do acesso ao financiamento bancário de empresas e famílias, da redução da burocracia, do combate à corrupção na economia, etc… Tudo isto são os fatores que preocupam os empresários, refere o World Economic Fórum.

As previsões do FMI dizem que Moçambique vai crescer acima dos 7% em 2011 e 2012. A Revista The Economist afirma que Moçambique foi a sétima economia mais dinâmica na última década e será a quarta de 2011 a 2015. África do Sul e Holanda são os principais parceiros comerciais de Moçambique, o primeiro ao nível de importações e o segundo ao nível das exportações.

Apesar da economia moçambicana ter deslocado nos últimos anos, o rendimento por habitante é ainda baixo em comparação com outros países do continente africano. De acordo com dados do FMI, o PIB per capita no país é de 440 dólares, colocando os moçambicanos entre os mais pobres de África. O mesmo FMI estima que em 2016 este PIB per capita atingirá os 784 dólares.

Principais riquezas de Moçambique:
- Hidroelétrica de Cahora Bassa;
- Energia eólica de Inhambane
- Petróleo (existem atualmente 12 contratos de concessão de petróleo e sete companhias operadoras) e Refinação de Nacala e Matutuine
- Campos de gás natural e condensado em Pande, Temane, Buzi e Inhassoro
- Exploração de carvão em Moatize e Benga (Tete)
- Produção de titânio nas minas de Moma e de Chibuto
- Tesouros debaixo do solo em pedras preciosas, minerais e hidrocarbonetos: Turmalinas, Granada, Águas Marinhas, Ouro, Quartzo, Calcário, Carvão, Gás...
- Bens alimentares: milho, arroz, mandioca, soja, gergelim, amendoim, feijão, girassol, açúcar, citrinos, banana, caju, chá, café, cevada, camarão…

Apesar de tudo isto o mundo continua a ver Moçambique como um país pobre. No índice de Desenvolvimento Humano, da ONU, Moçambique situa-se na 184ª posição, entre 187 nações. O sector social é um desafio que o país ainda precisa de vencer, bem como o desempenho da competitividade. O analfabetismo dos adultos (a média de escolaridade dos cidadãos com mais de 25 anos de idade é de apenas 1,2 anos) a grande taxa de mortalidade infantil (142 por cada mil habitantes) e a percentagem de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia (60%), entre outras coisas, mostram as dificuldades que o país atravessa e que precisa vencer.

20 de dezembro de 2011

leigos missionários, os GRANDES


Damasceno

Itoculo


Itoculo está desde finais de Agosto deste ano sem leigos missionários. Não é a primeira vez que tal acontece no decorrer dos já oito anos de vida desta missão espiritana. Mas é, mesmo assim, estranho. Esta missão já se habituou a eles. É a missão dos leigos, e a ausência deles como que a descaracteriza. Os missionários e missionárias do Espírito Santo ficam desamparados quando se dá um tal interregno. Felizmente está para breve a chegada da Joana Cruz, já em Janeiro próximo.

Os leigos são fundamentais na missão de evangelização da Igreja. Esta é uma certeza que nós verificamos de um modo absolutamente inequívoco aqui em Itoculo, tal a imensa riqueza que os leigos missionários já nos trouxeram. O seu testemunho é único: pelo facto de não serem nem padres nem irmãs, eles conseguem uma credibilidade diferente junto do povo, conseguem outro tipo de aproximação. A sua influência evangelizadora faz-se sentir até nos próprios religiosos com quem os leigos convivem, edificando-os com a sua vida de oração e fé. Além do mais, os leigos têm geralmente uma especialização profissional, uma qualificação técnica que muito contribui para a eficácia da actividade missionária: como saber que a areia para construção tem uma determinada granolometria… ou entender que as sementes podem ser dicotiledóneas! Tudo coisas muito úteis. – Estes são exemplos caricatos, evidentemente…


Uma das apostas do trabalho pastoral em Itoculo nos últimos dois anos tem sido a criação e promoção de grupos de oração e de renovado envolvimento eclesial. Ora, até neste plano, o papel dos leigos se tem revelado determinante. Senão vejamos:

Estão a funcionar neste momento dois grupos da Legião de Maria. Todos os sábados se reúnem para rezar, para planear e avaliar as suas actividades de evangelização. São eles que vão, dois a dois, de porta em porta, cada semana, à procura de ovelhas tresmalhadas ou em auxílio de pessoas em situação de extrema necessidade. Este é claramente um movimento de leigos e, além do mais, foi pensado e fundado por um leigo, que nunca pôs os pés em Itoculo, um irlandês, Frank Duff. E já lá vai um par de anos.


Raul Marcos. É um jovem leigo espanhol que há alguns anos trabalha como director da universidade Católica de Pemba, província de Cabo Delgado. Com bastante frequência, e aproveitando o escasso tempo que lhe permite a sua posição na universidade, viaja até Nampula (a mais de 400 Km de Pemba) para assistir grupos de oração ligados à comunidade de Jerusalém, do Renovamento Carismático, a que ele próprio pertence. Trata-se de uma dedicação comovente, que por si só já nos evangeliza. Em meados deste ano propôs-se vir também a Itoculo orientar alguns dias de oração e de reflexão com alguns dos nossos animadores. Nasceram, a partir desta experiência, alguns grupos de oração carismática na paróquia, que semanalmente se reúnem para uma oração mais espontânea e ao sabor do Espírito de Pentecostes.


A Ernestina, leiga missionária que esteve connosco no último ano, deixou-nos a herança dos encontros de Taizé. Incutiu nos jovens o gosto pela oração cantada a várias vozes, à maneira dos coros celestiais. E, agora, como ela já cá não está e nós nem sempre encontramos vagar para preparar o esquema da oração e organizar ensaios, são os jovens que nos recordam: “Então? Este mês não temos oração de Taizé?” E temos mesmo que nos mexer.


Enfim, quando se menciona o termo “leigo missionário” logo surge em nós um sentimento de agradecimento: obrigado ao Christophe Héveline, à Celeste Reis, ao Hugo Rodrigues, à Joana Pedro e à Ernestina Falcão, que desde 2004 por aqui passaram e aqui viveram. Agradecemos ainda a tantos que se preparam ainda para vir. Mas damos uma palavra de apreço também àqueles que, de forma muito discreta, na retaguarda, se interessam pela missão. São aqueles que, mesmo sem apanhar o avião, atravessam outros “mares”, transpõem as fronteiras dos seus próprios interesses para atender às imensas necessidades de um próximo que vive tão longe. Com a sua oração, sacrifício e solidariedade material “empurram” para a frente os missionários que se encontram no terreno. Obrigado à LIAM e a tantos que, mais ou menos anonimamente, nos têm apoiado.


Recentemente estive na África do Sul. Lá reencontrei amigos de longa data. E entre a comunidade portuguesa que vive naquele país, tive a sorte de experimentar a mesma hospitalidade que o apóstolo Paulo exalta nalgumas das suas cartas. Naquelas terras muitas famílias cristãs continuam a dar testemunho de comunhão com os mais pobres e com os missionários. Este testemunho é tanto mais assinalável quanto sabemos que nem sempre estas famílias vivem economicamente desafogadas. Obrigado.


O pequenino menino Jesus deve sentir-se muito confortável no enorme coração destes leigos.


Feliz Natal 2011 e um santo ano 2012



Damasceno

26 - A alegria completa

– Netia-Itoculo/2003-2004 «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu. […] Pois esta é a minha alegria! ...