10 de setembro de 2019

Grupo NAKUMI em Itoculo


Em jeito de partilha fica aqui o testemunho da Catarina, do Grupo NAKUMI que esteve em Itoculo de 1 a 21 de Julho de 2019, vindos da Paróquia de Santo André de Vitorino dos Piães, Diocese de Viana do Castelo (Portugal).

Salama.
Boa tarde.
Tudo bem?
Era assim que começavam todas as conversas. Mas as pessoas diziam mesmo se estavam bem ou não, se lhes doía um braço, um dente, mesmo que tivessem tido malária há um mês contavam e diziam que já estavam melhores e a partir daí não faltavam temas de conversa.
Foram 3 semanas que pareceram 3 dias e ao mesmo tempo a nível de experiência de vida parece que se passaram anos.
            Fui preparada para encontrar pobreza, sabia que ia encontrar fome, mas é muito mais do que isso. Falta tudo. Falta água. Falta comida. Falta escolas. Falta hospitais. Há jovens que nunca foram à escola como é o caso do Dinis de 18 anos que vive na aldeia da minha família de acolhimento. Perguntei-lhe porquê que não vai à escola, tinha um tradutor ao lado porque quem não vai à escola geralmente só fala macua, e ele disse-me que a escola mais perto ficava a 2 horas de distância. Imaginem 4 horas a pé todos os dias para ir à escola. Como poderia ir quando mal tem o que comer? O que era suposto eu dizer em resposta aquilo? Perguntei muitas vezes ao meu tio, o Pe. Raul, o que se diz nessas alturas e ele só me dizia “vais dizer o quê?”.
            Há crianças que têm de viver com problemas de saúde que seriam logo corrigidos se tivessem nascido aqui, como é o caso do Ricardo de 5 anos que mal consegue andar por ter os pés tortos, aqui poderia ser corrigido tão facilmente.
            Para além destes dois casos conhecemos muitos mais que cada um de nós traz consigo no coração.
            Como o Jacinto, uma criança da escolinha com quem estávamos todos os dias, tem 3 anos e já passou por tanto. Passou por várias casas, por várias famílias. Viu coisas que ninguém deveria ver e mesmo assim é a criança mais meiga e com o sorriso mais bonito que já vi. No caminho para a escolinha pegava sempre em alguma coisa para nos oferecer, a Irmã Adelaide que é quem cuida da escolinha diz que ele quando gosta de alguém traz nem que seja uma pedrinha para lhe dar.
            Falta tudo.
            Mentira. Não falta tudo. Não falta o mais importante. Há alegria como nunca antes tinha visto. Há a bondade de partilhar tudo o que têm. O mais emocionante nesta viagem foi o que me deram, pessoas que não têm quase nada deram-me tudo. Dormiram uma noite fora de casa ao frio para que eu ficasse confortável no quarto deles. Deram-me a comida que tinham mesmo não tendo para eles. E no fim agradeceram-nos pela visita, tão felizes.
            Acreditem, não é preciso muito para ser feliz. Não é mesmo.
            Apesar de não faltar tudo ainda é preciso muito.
            Eu não fazia ideia da importância do trabalho do Pe. Raul lá em Itoculo, é graças a ele e a outros espiritanos que lá estão que muitos jovens conseguem ir à escola porque ficam nos lares, crianças que têm onde brincar e comer por existir a escolinha. Bebés que não morrem à fome porque há o centro de nutrição para lhes dar comida. Eles lá não são só padres e freiras, são tudo, são mesmo tudo para muitas pessoas.


            Mas fazem isto tudo porque têm ajudas de pessoas de cá, padrinhos dos lares que todos os anos dão uma contribuição, padrinhos de crianças que ajudam a pagar os estudos, padrinhos do centro de nutrição que permite matar a fome a estas crianças.
            As coisas lá são muito mais baratas o que faz com que uma pequena ajuda nossa consiga mudar muitas vidas.
            Este ano, a partir de Novembro, irá haver muita fome devido aos ciclones que destruíram as plantações. Muitos irão aparecer no centro de nutrição e acreditem que não há nada que custe mais do que ver uma criança a chorar de fome.
            Antes de ir eu dizia à minha mãe “toda a gente diz que quando voltar serei uma pessoa diferente, que aquilo muda as pessoas” e eu não acreditava muito, como é que apenas 3 semanas poderiam fazer isso? Mas a verdade é que mudou e espero ter conseguido transmitir um pouquinho da missão de Itoculo a todos vocês, que nos ajudaram a ajudar.
Muito obrigada.
Koxukuro.

CATARINA FELGUEIRAS

HISTÓRIA DE VIDA


Já lá vão 25 anos de Profissão Religiosa. Parece que foi ontem… O tempo passa rápido e, mais um pouco, também eu passo pelo tempo. Houve tempo para tudo. Sinto que fiz de tudo e mais alguma coisa. Guardo na memória muitas histórias e situações.


Onde nasci e cresci tenho grata recordação. O ambiente familiar continua saudável e acolhedor. O encontro e a festa nunca faltaram. Tal como nunca faltou o apoio e a compreensão. Liberdade e acção, coragem e amparo, confiança e firmeza sempre estiveram à mesa desse encontro. Agradeço os pais que me geraram e cuidaram, os irmãos que me acolheram, todos os familiares e amigos que me fortaleceram.

A caminhada é pessoal, e «o sonho comanda a vida». Cedo entrei no seminário, e a descoberta foi acontecendo. A idade avançava e os ideais esclareciam-se. A hora aproximava-se e a decisão foi tomada. A opção aconteceu e o sonho tornou-se realidade. Recordo esse dia. Lembro as palavras proferidas. Sinto de novo o mesmo compromisso. Sou missionário, sou consagrado. Louvado seja Deus.

Uma nova família estava constituída, maior, mais alargada. Novos horizontes se abriram à medida que se avançava no tempo e no compromisso. Primeiro foi o estudo, a oração, os pequenos trabalhos locais. Depois veio a partida, o diferente e o desconhecido, a aventura, o arriscar e desenrascar... Coisas que a juventude carrega sem medo.

Aquilo que era temporário fez-se permanente. O serviço foi a primeira ordem recebida. Parecia ensaio mas já era realidade. Não havia tempo a perder. «Faça-se». Fui então ordenado para servir e guiar: «crê o que lês, ensina o que crês e vive o que ensinas». Novo milénio começava, nova etapa acontecia, uma missão, um missionário. Eu mesmo, padre missionário espiritano.

«Vá para fora cá dentro», foi a primeira aposta. O despertar vocacional e animação juvenil marcaram esse tempo. Crianças e adolescentes, jovens e adultos, todos entraram no meu novo mundo feito de encontros e acampamentos, retiros e jornadas, peregrinações e caminhadas. A missão era visitar, acompanhar, orientar ou, simplesmente, estar. O que resultou? Desconheço. Deus o sabe. Apenas um sentimento de dever cumprido, ainda que pudesse ter sido melhor.

Jovem com os jovens. Sonho e aventura. Animação com vida e entrega. Dias preenchidos, noites prolongadas, tempo insuficiente para tanta vida despontada. Coordenação e concentração a norte, sem esquecer outras regiões, em vista da união juvenil sem fronteiras. Pontes e abraços, iniciativas e sucessos, fracassos e decepções, alegrias e esperanças… realidades de um mundo jovem feito de jovens. Terminava assim esta primeira etapa neste «ad intra» lusitano.

Abrir novos horizontes, voar até outras paragens, conhecer novas realidades, uma missão a começar. O povo macua, a cultura e as tradições, a língua e a linguagem, o clima e todo o meio ambiente a descobrir. O desconhecido foi-se apresentando, o inseguro deu lugar à segurança, a novidade ganhou confiança, o encontro acabou com as incertezas, e uma nova vida começou a ser vivida.

A missão tem agora o rosto de crianças sorridentes e simples, jovens animados mas olhando ainda um futuro incerto, homens e mulheres serenos e carregados de histórias. A pobreza, muitas vezes a confundir-se com a miséria, incomoda e desafia. Ficar parado não resolve, é preciso seguir e agir juntos. Sem esperar grandes mudanças, apenas empenhado em pequenas transformações cada dia. Trata-se de dar pequenos passos para fazer grandes caminhadas.

Muitos caminhos percorridos. Muitos deles numa verdadeira aventura. O destino era um encontro, uma celebração, uma sentada. Conversas espontâneas, informações locais, situações à espera de solução, orientação e decisões conjuntas, formação pastoral, tudo em vista de uma vivência humana e cristã comprometida. Depois o regresso, o cansaço, o restabelecer das forças para começar novo dia.

Resumindo, foram dias a capacitar lideranças, abrir novas possibilidades, implementar projectos de desenvolvimento, até dar boleia e ajuda humanitária… ou simplesmente cuidar do ser humano. Mas também restabelecer laços, reconciliar desavenças, pacificar corações, absolver sacramentalmente, construindo a Igreja de Jesus. No meio de tudo isso a palavra do Evangelho e a busca da comunhão divina.

Na verdade, já passaram 25 anos com pessoas e experiências marcantes. Não sei o que virá à frente. Mais fácil não será. Mas como até agora, também estou confiante, não estarei sozinho nem isolado, a missão é sempre plural e comunitária. Essa é a minha missão também. Que Deus me abençoe e me ajude a ser fiel nesta caminhada, para cada dia começar sempre de novo, aberto às surpresas de cada momento.

Um obrigado sincero a todos. E, juntos, façamos um brinde à vida.

14 de maio de 2019

Ciclone soprou forte em Itoculo


A cobertura da igreja de Namalima, centro de zona onde está a paróquia de São José de Itoculo, voou com os ventos do ciclone Kenneth que fez grande destruição no norte de Moçambique, Província de Cabo Delgado. As imagens e reportagens mostram a impotência do homem perante tal fenómeno e confirmam o rasto de destruição causado e a pobreza daqueles que tudo perderam, alguns até a própria vida. A sobrevivência e reconstrução é agora a luta de cada dia que merece uma ajuda concreta e imediata.


Aqui em Itoculo, apenas numa zona muito restrita, houve uma rajada desse ciclone que levou pelos ares a cobertura em chapa de zinco de uma capela e várias casas vizinhas que ficaram destruídas parcial e totalmente. As chuvas intensas que se fizeram sentir após a passagem do ciclone agravaram a situação. Assim, nessa zona, nove famílias ficaram desprotegidas e aguardam apoio para reconstruir as suas casas.


O Sr. Alfredo, ancião da comunidade, nem tem palavras para descrever o estado da igreja: «Como vamos fazer agora, senhor padre?», falava assim. A sua casa também sofreu com as chuvas e só lhe resta fazer uma casa nova. Ao lado um jovem casal Mito Neves e esposa no dia do ciclone viram cair uma parte da sua casa e três dias depois as chuvas intensas derrubaram o outro lado da casa. Vivem aí mesmo e assim mesmo. A mamã Maria Cipriano, viúva, viu cair o tecto da sua casa e não tem como fazer para reconstruir, dorme no alpendre da parte da casa que ainda está de pé. Mais abaixo outra família está na mesma situação. E casos destes repetem-se nas casas das mamãs Amina Cussia, Julieta Teodoro e a Maria Cristina Requege, e dos senhores Elias Amisse, Félix Gabriel, e Jorge Mwareque.


Além das casas, e um pouco por toda a área da paróquia, as culturas sofreram bastante com as chuvas que se fizeram sentir. Sendo que este é o tempo da colheita, o amendoim, milho, feijão e outros cereais ficaram tombados na machamba são comidos pelo mochem. O esforço imediato é recolher o máximo desses produtos para haver o mínimo de garantia alimentar, e só depois pensar em reconstruir, aqueles que ficaram com as casas danificadas. Entretanto, com alguns rolos de plástico se improvisou uma pequena construção que abriga da chuva e do sol, ainda que mais provisória que a construção anterior.
Tomando conhecimento desta realidade, fizemos uma sentada com os responsáveis da comunidade vimos que seria importante e necessário encontrar apoios para a reconstrução destas nove casas e da igreja. Juntos chegamos à conclusão que havendo possibilidades de apoio financeiro este seria para a parte da cobertura, correspondendo a 30 chapas de zinco, 40 barrotes e 7kg de pregos. O restante da construção fica ao encargo de cada família e da comunidade. Mas um tipo de construção que possa resistir às próximas intempéries. Ou seja construção mais resistente, de pau-a-pique ou blocos compactados, cobertura de quatro águas, entre outras coisas.


Acreditamos que a solidariedade possa chegar e estas famílias possam encontrar uma casa minimamente aceitável. À excepção do casal jovem, todos os demais são idosos e viúvas, onde vivem com outros familiares, principalmente crianças. Verdadeiramente, são pessoas carenciadas para quem a ajuda faz todo o sentido.



29 de abril de 2019

Um sorriso no olhar


                                   

Já passaram 3 meses desde que pisei pela primeira vez esta Terra Santa! Itoculo é mesmo uma terra de alegria, de amor, de sonhos. Ao largar tudo e vir para aqui, jamais imaginei sentir esta alegria imensa. Que bênção tão grande é ter a oportunidade de partilhar o meu dia com estas crianças, com estes jovens, com estes papás e mamãs!


Adorava conseguir explicar-vos aquilo que sinto, mas acho que há coisas que, por mais que tentemos, nunca vamos conseguir expressar por palavras. Os sorrisos, os gestos, a alegria, a boa disposição, o “Bom dia, Mana Gabi”, ou então as crianças da escolinha a gritarem “ Mana Gabi, Mana Gabi!”, tudo isso me enche o coração e tudo isso é impossível de partilhar, porque é algo que me ultrapassa verdadeiramente. É algo que me faz transbordar de amor, de alegria e de paz. É isto que me faz sempre vibrar todos os dias e estar verdadeiramente pronta para o desafio de ser missionária em Itoculo.

                                              



O sentimento de partilha vivido nesta missão é uma constante no meu dia-a-dia. Partilhar tudo e com todos.

Estar em missão é ter a disponibilidade total para este povo. É saber que, independentemente de tudo aquilo que eu possa contribuir para este povo, quem vai aprender mais, serei sempre eu. Aprender a dar aquilo que pensava que não tinha, a partilhar a minha alegria, mas também as minhas tristezas. Partilhar este dom que é a vida. E há coisa mais bonita do que esta? Ver a vida na sua simplicidade, nas pequenas maravilhas, nos pequenos gestos, ver a vida nos outros. Itoculo tem-me ensinado que tudo é possível, mesmo quando alguma coisa corre mal, há sempre solução para tudo. Não há stress, não há pressões para sermos melhores que os outros. O mais importante é sermos sempre a melhor versão de nós próprios!

Abraçar a missão não é apenas largar tudo e vir. Abraçar a missão é ter a capacidade de saber que existirão dias muito bons e dias em que as coisas não correm assim tão bem. Ser missionário é ter esta capacidade de dar valor às coisas que realmente são essenciais na nossa vida. Ao longo destes últimos três meses, tenho crescido e tenho descoberto em mim coisas que não sabia ser capaz de fazer.

A missão também me trouxe alguém muito especial. Quando me disseram que ia partir em missão com a Cristina (que esteve em Itoculo em 2018 e voltou em 2019) fiquei mesmo muito feliz, mas sou ainda mais feliz agora por poder partilhar esta missão com ela! Deus realmente sabe aquilo que faz e estou muito grata por ter colocado a Cristina no meu caminho. “Estranhas” ou não, o que é certo é que somos muito felizes juntas e não posso nem me atrevo a pedir mais!

                                             

Viver a missão tal como ela é, com sorrisos, lágrimas, com alegria, com sofrimento, não é fácil. Mas, como diz o Padre Raúl, se fosse fácil estavam cá outros. Por isso, esta entrega exige tanto de nós que, só confiando em Deus e confiando uns nos outros, é que conseguimos levar a Paróquia para a frente. Sinto-me mesmo em casa e devo-o sem dúvida à extraordinária Equipa Missionária de Itoculo! Obrigada, Itoculo, por seres a minha casa, uma casa onde acima de tudo há muito amor e muita alegria! Este ano de 2019 vai ser mesmo especial e vai ficar para sempre marcado na minha vida.

                                        


Vou-te mostrar que as árvores riem pra ti
Vou-te mostrar que as estrelas dão sinais de si
Vou-te mostrar que o sol te aquece e te abraça
E que tudo não passa do saber viver a contemplar

Olha à tua volta e pensa em Deus
Aquele que deu tudo e tudo aos seus
Entrega o teu estar e o teu olhar
E sem o reparar, Ele vai-te abraçar
Vai-te ajudar….

Vou-te mostrar que isto basta pra viver
Vou-te mostrar que nada mais tu vais querer ter
Que nada mais tu vais querer ser
Apenas aquele que quer crescer

Olha à tua volta e pensa em Deus
Aquele que deu tudo e tudo aos seus
Entrega o teu estar e o teu olhar
E sem o reparar, Ele vai-te abraçar
Vai-te ajudar….

Mpáká Nihiku Nikina!
Gabi

13 de março de 2019

Simplicidade, alicerce da missão!


Simplicidade, alicerce da missão!

É na simplicidade que marcamos a diferença e é neste que tracejamos os nossos roteiros, na busca de melhor servir o próximo. Num dos artigos publicado aqui no “Nakumi” dizia que “no campo de cada missão há um tesouro escondido”. E é verdade, há um tesouro escondido num baú, cuja chave é a simplicidade. A vida, por si só, até então é mistério imperscrutável, não é fácil, muito menos quando não a vivemos dignamente. Com efeito, em tais circunstâncias, a simplicidade aparece como alternativa, embora descartada, e apresenta-nos uma face esmagadora. Na sua primeira ação, imperativamente, manda-nos demolir todas as cancelas, pontes (no sentido de escapar do encontro com os mais “pequeninos”), muros, etc. Depois incita-nos a preparar um lugar para um verdadeiro encontro de quem precisa de receber a boa notícia. Quando há abertura, espaço para acolhimento de cada um, de quem individual ou coletivamente somos responsáveis, podemos já dizer em vós alta que somos de Cristo, somos adeptos da boa notícia; e vendo pela vida de Jesus e pelas Suas palavras, descobrimos um forte apelo à simplicidade que nos move, assim como Ele, ao encontro de todos quantos precisam, partilhando o que somos, o bom que Deus viu em nós. Esta simplicidade está traduzida: em cada encontro, em cada aperto de mão, na paciente escuta, na reconciliação, no ensino, no sorriso, na paternidade, na preocupação com o bem-estar de todos, e no trabalho para manter a paz e justiça entre todos.

Vou fazer uma pequena apresentação de homens e mulheres, simples, que testemunham essa simplicidade evangélica no campo da missão. Os simples são felizes e têm a graça de nunca estarem sós, mesmo que o resto do mundo siga no sentido oposto. Até porque não é preciso ganhar opiniões públicas, atrair atenção de todos para se sentir feliz; sê feliz onde estejas, vivendo a vida com simplicidade, saboreando as maravilhas do eterno que Ele te proporcionará consoante o teu pedido.

Pe. Raul, válido também “Raúlo” ou “Ruru”, Superior da Comunidade dos Espiritanos em Itoculo; responsável pelo ministério dos anciãos; faz parte do secretariado a nível da diocese; 10 anos em Itoculo; Curiosidade: respeito pelo Café, sempre que possível saúda-o duas vezes por dia; Restrições: chocolate, ovos e tomates; Clube: Sporting; País: Portugal – Viana do Castelo (Ponte de Lima).


Pe. Edmilson, válido “Edimilsone” ou “Edy”, ecónomo da comunidade; responsável pelo ministério da catequese e pelo lar masculino de Itoculo; responsável pela educação a nível da zona pastoral de Carapira; 4 anos em Itoculo; Curiosidade: alérgico à campainha por volta das 13:30; Tendências: eletricista (reparações de tomadas e extensões); Clube: Porto; País: Cabo Verde – São Domingos (Milho Branco).


Gilberto, válido “Gil”, “Juluberto Bolso” ou “Zil”, membro da comunidade; responsável pelo ministério da justiça e paz e comunicação social; 17 meses em Itoculo; Curiosidade: nutricionista; Tendências: orientar obras; Clube: simpatizante com o Barcelona/ Benfica; País: Cabo Verde – Ilha de Santiago (Santa Catarina – Figueira das Naus).




Cristina, válido “Cris”, “Marisa”, “Queristina”, “Gira” ou “Mana Cristina”, e Gabriela, válido “Gabi”, “Capi” ou “Ely”, ou leigas inquilinas da comunidade; responsáveis pelo ministério dos jovens, união de facto, escolas comunitárias, biblioteca, aulas de reforço escolar; Curiosidade: querem ser padres(as) espiritanos; Restrições: cabeça da porca; Tendências: sobremesas; Clubes: Arouca e Benfica; Distúrbio: ilusão ótica – chamar um gato de girafa, uma papaieira de bananeira, etc; País: Portugal – Porto (Fiães) e Braga (Fraião).


Ir. Eduarda, Superiora da Comunidade das Espiritanas; responsável pelo ministério da família; e do centro de nutrição; 4 anos em Itoculo; Tendências e Clube: desconhecidos; Restrições: fritos e carne de porco; País: Cabo Verde – Santa Catarina.




Ir. Adelaide, responsável paroquial pelo ministério da Cáritas, Legião de Maria e pela escolinha; membro da Comissão Diocesana da Cáritas pela zona de Carapira; 13 anos em Itoculo; Curiosidade e Clube: desconhecidos; não tem restrições; País: Cabo Verde – Santa Catarina (Chada Lem).




Ir Tatiana, responsável pelo ministério da Infância Missionária e do centro vocacional da paróquia; 4 anos em Itoculo; Curiosidade: fã do Neymar; Tendências: comerciante; Restrições: Cabo Verde; País: Centro de África.





Ir Paula, responsável paroquial pelo ministério das mamãs e pelo lar feminino de Itoculo; membro da Comissão Diocesana da Promoção da Mulher pela zona de Carapira; 17 meses em Itoculo; restrições: batidos e carne de porco; Curiosidade e Tendências: desconhecidos; País: Angola.




Equipa Missionária Itoculo 2019

Gilberto Borges, in pro-missão V, Itoculo, aos 12.03.19

2 de março de 2019

A MISSÃO CONTI/ÍNUA


O ano 2019, aqui na Missão de Itoculo, começou com boas novidades e grandes desafios. Primeiramente, foi a chegada das duas leigas, voluntárias-missionárias, a Cris e a Gabi. A Cris, oficialmente Cristina Fontes de Fiães (Vila da Feira), é repetente na Missão. Depois de concluir o primeiro ano, quis prolongar um pouco mais para saborear melhor a realidade da vida missionária. A Gabriela Rodrigues, de São Tiago - Fraião (Braga), está a iniciar esta caminhada missionária ad gentes. Para ambas desejamos uma excelente e profunda vivência missionária por terras de Itoculo – Moçambique.


Depois deste reforço da Equipa Missionária de Itoculo, lançamos o ano pastoral na nossa paróquia de São José-Itoculo, a partir do Plano Diocesano de Nacala: «Reavivar o dom recebido para ser fermento na sociedade». Trata-se de um trabalho já iniciado em 2017, e que vamos continuar a apostar em áreas da catequese, da liturgia e do âmbito socioeconómico. A formação cristã mais sólida, a vivência litúrgica mais cuidada e a participação mais activa na vida social, são os temas, entre outros, que marcarão a nossa actividade pastoral.

Com o início do ano escolar chegaram também os alunos internos dos lares masculino e feminino: são 45 rapazes e 50 meninas, mais um pequeno grupo de estudantes externos. A debilidade do sistema de ensino local é para nós um grande desafio, pois temos de encontrar meios para ensinar o aluno a ler e a escrever. Não se trata de crianças, mas alunos que vêm frequentar a escola secundária. Neste sentido, o espaço da Biblioteca Paroquial, cada dia com lotação esgotada, apresenta-se como uma real oportunidade para vencer este desafio. A ampliação da escolinha (pré-escolar) mostra também a importância deste trabalho educativo. Bem-haja a quem se dedica a esta árdua tarefa.

No sentido de garantir melhor segurança alimentar, a Cáritas diocesana está a levar a cabo um projecto de criação de caprinos e cultivo de hortas em várias comunidades locais. Do mesmo modo, também nós terminamos a construção do nosso aviário, dando início à criação de animais avícolas para consumo local. Pela frente temos ainda o projecto da construção de casas melhoradas e de um depósito de água para o lar de estudantes. A missão de evangelização vai de mãos dadas com a promoção humana e o desenvolvimento integral.


Para este ano 2019 temos ainda mais expectativas.  A nível nacional teremos eleições gerais, e tudo o que isso implica para que sejam eleições livres, justas e transparentes. A nível diocesano vamos preparar a nossa Assembleia Diocesana de Pastoral, enquadrada no Mês Missionário Extraordinário (Outubro 2019). A nível de Itoculo estamos a prever receber, vindos de Portugal - Diocese de Viana do Castelo, um grupo de jovens (e não só) – missão nakumi, para uma troca de experiência missionária.

Tudo isto é apenas uma pequena parte da grande realidade missionária de Itoculo. Outras coisas mais irão acontecer e aqui mesmo vamos partilhar ao longo do ano. Fique atento e siga-nos neste Blog. Cada ano a missão continua com novos desafios e grandes novidades. Deste modo é mesmo uma missão contínua.

17 de dezembro de 2018

MAIS UM ANO QUE TERMINA


Com o Natal que se aproxima também chega o final do ano civil. Para nós, aqui na Missão de Itoculo, é também o fim do ano pastoral e as férias grandes da escola. Em Janeiro de 2019 começa o novo ano civil, pastoral e escolar.

Como sempre, quando termina um ano, é tempo de fazer o balanço e avaliar o que se fez e como se viveu. Aqui há sempre muita coisa a dizer e muito mais a fazer e refazer. É assim o dinamismo da vida missionária. Principalmente, muito a agradecer.

O acolhimento da voluntária Cristina Fontes, a visita fraterna do P. Tony Neves, a Ponte JSF, os Votos Perpétuos da Ir. Tatiana, com a vinda do novo Bispo de Nacala à nossa missão, entre outras coisas, foram momentos de grande animação.


Os mais de 350 baptismos celebrados, 180 Primeiras Comunhões, 27 Matrimónios e vários Crismas integrados nos Sacramentos da Iniciação Cristã, marcaram a prática sacramental deste ano. A par disso estavam mais 3000 catecúmenos (crianças, jovens e adultos) e seus 225 catequistas. Somando a tudo isso estavam ainda animadores de cada uma das 79 comunidades, das 15 zonas e das 3 regiões, a nível dos diferentes ministérios (ancião, família, jovens, mamãs, caritas e saúde, justiça e paz, comunicação social, vocações…). Cursos paroquiais (total de 30) e formações nos centros regionais (cada semana) preencheram muitos dos nossos dias de pastoral.

A preocupação pela educação escolar no lar de estudantes Daniel Brottier e na Biblioteca paroquial foram também grandes momentos de entrega missionária. Tudo isto sem esquecer o ATL das tardes com as crianças do bairro. Os encontros com jovens estudantes e o apoio para a realização dos seus estudos em Itoculo e no Monapo, foram outros sinais positivos da nossa missão.


A montagem e equipamento de uma moagem eléctrica, a construção de um aviário (em fase de conclusão), a abertura de quatro furos de água (três nas comunidades e outro no lar de estudantes), o apoio a 1000 famílias mais carenciadas com rolos de plástico para a cobertura das suas casas caídas pelas chuvas intensas de Janeiro, os 150 mil paus de mandioca distribuídos por Itoculo inteiro, o projecto de segurança alimentar com a criação de caprinos e produção de hortícolas… Foram também acções concretas da nossa presença missionária.

Enfim, para viver e fazer tudo isto, contamos com a bênção de Deus que nos deu saúde e paz, e bom espírito de coordenação. Além disso, também foi grande a comunhão e solidariedade missionárias. A todos os que partilharam connosco um pouco das suas economias, queremos manifestar o nosso sincero agradecimento. Sem essa generosa colaboração muito do nosso trabalho ficaria por realizar. Muito obrigado a todos e todas do fundo do coração.


Novo ano 2019 está achegar e com novos desafios e novas aventuras, mas a mesma fé e o mesmo compromisso missionário. Isso mesmo queremos depois partilhar ao longo do novo ano. Agora resta desejar BOAS FESTAS com um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo 2019.

26 - A alegria completa

– Netia-Itoculo/2003-2004 «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu. […] Pois esta é a minha alegria! ...