Vida e Missão CSSp 2013


P. Raul Viana
Itoculo

O Grupo Espiritano em Moçambique realiza no mês de Junho o seu Conselho Alargado. Decorridos três anos da realização do seu primeiro Capítulo (Beira 2010), chegou a vez de voltar a congregar todo o Grupo para assim reler e avaliar as orientações assumidas, bem como ajustar e incluir as novidades de Bagamoyo (Capítulo Geral 2012), tendo em conta os desafios do atual contexto missionário espiritano em Moçambique.

Envolvidos pela realidade sociopolítica de Moçambique vemos que a par de uma considerável movimentação económica, marcada pela indústria de extração mineral (carvão, gaz natural, petróleo, etc.), vive-se atualmente alguma agitação política interna. Sinal disso são os incidentes ocorridos no início de Abril deste ano (em Muxungué) entre as forças policiais e os militantes do partido político da Renamo. No dizer destes, uma vez mais a oposição foi humilhada e maltratada pelos militares da polícia de intervenção rápida, sob a direção da Frelimo, partido no poder.

A opinião pública, a voz da Igreja Católica e do Conselho Cristão de Moçambique, bem como a intervenção imediata do Presidente da República, manifestaram o seu desagrado por tal incidente e apelaram ao diálogo fraterno para manter e solidificar a paz. Esta paz conseguida em 1992, com o fim da luta armada, é o caminho do desenvolvimento que permite sonhar e trabalhar por um futuro próspero. Só respeitando e acolhendo as diferenças, e juntos trabalhando pelo bem comum, se pode conseguir um Moçambique melhor para todos.


No final de Abril, a Localidade de Murutho - Posto Administrativo de Itoculo, uma das nossas Regiões Paroquiais, acolheu o Presidente da República na sua «visita presidencial aberta e inclusiva» de 2013. Além do frenesi que estas visitas comportam, foi um momento para a população fazer ouvir a sua voz. Os problemas da má governação e corrupção local, a carência de condições sanitárias, as dificuldades na educação, a falta de água potável e outros bens de primeira necessidade, a inexistência de indústria local, a comercialização injusta dos produtos agrícolas, os inúmeros casos de injustiça pessoal e social, entre outras coisas, foram assuntos de interesse comum apresentados à visita presidencial.

Como missionários nestas terras e com este povo ficamos satisfeitos por serem falados os reais problemas do povo local. É louvável esta oportunidade de expressão concedida àqueles que estão longe e não têm meios de se fazerem ouvir juntos das autoridades competentes. Este é o Moçambique real, muito distante de Maputo, onde as pessoas sofrem e lutam pela sua sobrevivência, face ao qual não podemos passar indiferentes. Faz parte da nossa missão atender a estas situações e trabalhar para minorar as dificuldades deste povo.


Assim, enquanto Grupo Espiritano, a nossa missão está marcada pela evangelização, propriamente dita, e por diferentes projetos de desenvolvimento. A par da assistência pastoral às paróquias que nos são confiadas (Inyazónia, Itoculo e Nampula), procuramos intervir na educação informal com apoio direto às escolas comunitárias, na organização e manutenção de lares estudantis para os mais desfavorecidos, na criação de bibliotecas e centros de estudo. Estamos ainda a possibilitar o acesso às novas tecnologias com cursos de informática, capacitando também homens e mulheres para o mundo laboral de corte e costura, criando incentivos para a prática agrícola, possibilitando um melhor acesso à água potável. Paralelamente, ministramos cursos e encontros de formação humana e cristã, formando líderes nas áreas da saúde, justiça e paz, cáritas, comunicação social, etc… Como resposta mais imediata e urgente, atendemos também a situações de desnutrição, especialmente de crianças.

Enfim, com base nesta realidade local e conscientes do verdadeiro sentido da vida missionária queremos continuar a marcar a nossa presença espiritana nestas terras segundo a inspiração dos nossos Fundadores, Cláudio Poullart des Places e Francisco Libermann, e de acordo com a orientação missionária mundial, que sempre nos convidam a unir o Evangelho com o Desenvolvimento integral «do homem todo e de todos os homens».

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