preservativos: bolas para todos


Elson Lopes
Itoculo


Há uma semana terminou o ano lectivo para algumas classes. Para as que têm exame ainda não. Mas todos já podem gritar: “ESTAMOS DE FÉRIAS!”. Para alguns as férias são merecidas, para outros nem por isso. Como se costuma dizer: tudo neste mundo tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. Portanto, também as férias estão incluídas nesta regra, concretamente as férias aqui em Itoculo, apesar de haver excepções à regra.
O lado positivo é poder descansar, brincar, ir assistir a vídeos sem nenhuma preocupação, e não ter que aturar os professores, sobretudo o professor Elson, que não deixa copiar mesmo sabendo o lema, “sem cábula não se chega a Maputo” (quem não copia não vai longe) e dá muitos TPC… etc.

O lado negativo é que, começando as férias, começam os “casamentos”. Mal começaram as férias, duas das minhas alunas já se casaram, melhor, já foram viver com um rapaz. E durante o ano quatro engravidaram, todas menores de idade (têm idade compreendida entre 13 e 17 anos). Pior de tudo é que os pais e o governo contribuem para isso. Os pais contribuem porque, mal as meninas fazem a iniciação (que ocorre normalmente depois da primeira menstruação), alguns começam a buscar homens para elas e outros incentivam-nas a isso. E o Governo para combater a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis faz campanhas de distribuição de pílulas, injectáveis e preservativos. Só que, em vez de diminuir, está a aumentar o número de adolescentes grávidas e pessoas seropositivas. Este tipo de campanhas, de facto, constitui um incentivo acrescido à prática sexual. Numa campanha de vacinação que fizeram ao meio do ano, uma aluna recebeu as pílulas e preservativo e disse: “agora já posso fazer sexo à vontade que já tenho protecção”.

Do dia 1 a 6 deste mês (Novembro) também houve mais uma campanha de vacinação, onde chegou um camião de preservativos, que distribuíram a todos aqueles que apareceram para vacinar ou que passaram por perto, enquanto o Centro de Saúde estava sem medicamentos básicos e sem meios para transferir os doentes para o hospital central do distrito. Ou seja, para essas campanhas nunca falta dinheiro e gasóleo, mas para os medicamentos e transporte de doentes não existe. O mais engraçado é que o P. Damasceno contou que, numa comunidade onde foi celebrar num Domingo, as pessoas iam confessar-se e tinham preservativos no bolso da camisa com a ponta de fora. Sem mais comentários…
Como disse acima, tudo tem o seu lado positivo e negativo. E o lado positivo desta distribuição é que a rapaziada já tem bolas à vontade para jogar. Pegam nos preservativos enchem, com a boca, enrolam plásticos e fios de forma a ficar redondo como uma “bola profissional”. É grátis. Entre outras finalidades esta é a que parece ter mais sucesso.
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Comentários

Anónimo disse…
Não só as bolas, que bem ajudam o desenvolvimento muscular, mas também as pulseiras das meninas.Pena é que tudo contribua para um profundo relativismo dos valores e da formação duma consciencia critica sobre o comportamento.

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