um dia em cheio

Raul Viana

Itoculo

Depois das férias a vida volta ao seu normal. Assim aconteceu neste domingo dia 13 de Novembro. Logo de manhã à hora do sol nascer (4:30h) começamos a carregar o nosso carro com 50 chapas de zinco para entregar em duas comunidades cristãs da nossa Paróquia que querem renovar a cobertura da sua capela. Isto é um sinal de que as nossas comunidades já se estão organizando para melhorarem o seu espaço de culto.



Assim, cautelosamente fomos percorrendo o longo caminho que nos esperava. Em Renu, a 15km da missão, deixamos as primeiras 20 chapas. Avançamos mais um pouco e encontramos a comunidade de Havara que terminara de renovar a sua capela. Mais à frente parámos na comunidade de Supitani que nos informou que iria fazer o mesmo na semana seguinte. Depois passamos na comunidade de Murutho-Velho onde entregamos as restantes 30 chapas. Por fim, chegamos à comunidade de Namialo, tendo percorrido já 45Km com 2:30h de viagem.

Tivemos a companhia do Sr. Ernesto Najope animador geral da região de Djipwi e do Sr. José Ali animador regional da pastoral da Saúde. Conhecedores do estado do caminho, eles nos indicaram a via mais curta que se pode fazer durante este tempo seco, e assim economizamos 10km. Para mim, era a primeira vez que passava por este caminho que durante a chuva fica cortado ao trânsito.


Em Namialo, à nossa chegada estava uma pequena comunidade reunida com os seus catecúmenos. Iniciamos a celebração dominical pelas 8h, e às 11:30h estava tudo concluído. No fim almoçamos a nossa «chima» com galinha, falando de seguida com os animadores para resolver pequenas questões locais.

Foi então que surgiu o caso de um antigo animador que em 2010 havia retirado uma certa quantia de dinheiro da comunidade cristã para fins pessoais. Dialogando com ele, depressa manifestou vontade de resolver a questão logo que vendesse a sua castanha de caju. Imediatamente me prontifiquei a comprar essa castanha e a vende-la a fim de obter o dinheiro que nos foi desviado. E assim decidimos ir a sua casa e resolver tudo.

Foram mais uns quilómetros que percorremos no meio da savana florestal. Quando chegamos deparámo-nos com uns panos brancos ao fundo do seu quintal. Muito serenamente pedi-lhe uma explicação do que se tratava, pois ele faz parte da comunidade cristã. Logo me disse que foram os «curandeiros» que montaram todo esse escaparate por causa do «magini» (demónio) que tinha entrado na sua vida.


Na verdade este é um assunto muito delicado e enraizado na cultura local, mas que contraste com a nossa fé cristã. No decorrer da conversa ele manifestou vontade de se libertar desse mal, e não sabia como fazê-lo. Foi então que tomei a iniciativa de fazer algo por esta família, de modo que a Paz e Graça de Deus aí permanecessem. Juntamente com os animadores e familiares presentes (todos eles cheios de medo) nos sentamos no pátio da casa em ambiente de oração. Rezamos, benzemos a casa (por dentro e por fora) e fomos ao local destruir essa tenda montada pelos curandeiros tradicionais, manifestando o poder da Graça de Deus sobre todo o mal. Quando terminamos este assunto ofereceram-nos comida em sinal de comunhão e compromisso com tudo o que fizemos. Ficou-nos a impressão que esta família ficou livre de um mal que lhe adviera e continuamos a rezar para que assim seja. Porém não ignoramos todo o meio envolvente de sincretismo e superstição, do qual não é fácil livrar-se dele.

Por fim, tratamos do motivo principal que nos trouxe ali e regressamos a casa, percorrendo mais 45km. Chegamos pelas 16h fatigados por uma viagem cheia de sol e calor, mas agradecidos pelo bom desenrolar dos acontecimentos. Este foi, também, o motivo que preencheu a nossa Hora de Adoração comunitária ao fim da tarde. E o dia terminou com o jantar convívio de toda a Equipa Missionária.


E assim, com estes e outros acontecimentos, vai acontecendo a vida missionária por estas terras…

Comentários

Anónimo disse…
Que dia!!! assim não há tempo para pensar em asneiras. continuação de boa missão.

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