insignificâncias




Raul Viana
Itoculo



Na vida há acontecimentos profundos, momentos intensos, encontros distintos, situações relevantes… e muitas outras coisas insignificantes. Hoje escrevo aqui algumas destas coisas que pouco interessam, e apenas valem por serem insignificantes.

1- Nos últimos dias de Novembro a nível da pastoral estivemos com a renovação das listas de catequese. Trata-se de ver quem aprovou ou reprovou na etapa que frequentou este ano. Ao mesmo tempo são apresentadas as listas daqueles que vão iniciar a sua formação catequética em 2012. No total temos uma média de 200 grupos de catequese em toda a paróquia, de adultos e de crianças. Para adultos são 3 etapas e para crianças e adolescentes são 6 etapas, isto é, cada etapa corresponde a um ano de formação. Assim, no meio de tudo isto apanhei algumas listas com 40 e 50 crianças para iniciar a catequese. Mas o mais surpreendente foi encontrar uma lista com 1 único catequisando já da 6ª etapa. E o mais curioso é o que catequista é o próprio pai. Quase que podemos dizer que as sessões da catequese podem ser dadas em casa e diariamente!!!!
2- Esta época de Novembro – Dezembro é bastante seca cá pelo norte moçambicano. A falta de água faz-se sentir por toda a parte e quem sofre mais são as famílias que passam muitas horas e muitos quilómetros à busca deste precioso líquido. As plantas também sofrem com a seca, mas o orvalho da noite ajuda a refrescar. Mesmo assim, a tonalidade árida da paisagem afigura-se por toda a parte. Os animais domésticos (galinhas, porcos e cabritos…) também passam as suas dificuldades para encontrar verdura. No nosso quintal decidimos semear repolho e com um pouco de água que conseguimos ter, lá vamos fazendo uma pequena produção para consumo próprio. Qual foi o espanto de ver os cabritos andar no meio das couves sem as comer. O mesmo já não aconteceu com a mandioca e outras pequenas folhas que vão despontando de arbustos. Afinal os cabritos daqui são bem educados, em algumas coisas!!!


3- A malária/paludismo é a doença que causa o maior número de vítimas mortais no mundo, de modo especial faz aumentar em muito a mortalidade infantil. É uma doença dos países pobres, e por isso ainda se mantém, até aos nossos dias, sem um medicamento preventivo ou inibidor do «mosquito palúdico». Contrariamente a outras doenças mais recentes, como é o caso das doenças cancerígenas, que têm evoluído de forma eficaz o modo de tratamento nos países ocidentais. Para nós estrangeiros numa terra quente dominada pelo «mosquito palúdico» (norte de Moçambique) facilmente ficamos apanhados e obrigados a cancelar os planos que tínhamos previsto. Assim aconteceu agora mesmo comigo onde tinha calculado fazer uma série de coisas, mas que ficaram adiadas porque a malária não permite sair de casa, nem fazer muitos esforços até que fique totalmente curada. Por outro lado, permitiu escrever algumas coisas insignificantes como estas…

4- Outros assuntos insignificantes poderia escrever, como por exemplo, acerca da «prisão industrial de Nampula», ou sobre o facto de «levar as crianças para o Rio» quando estão doentes, ou ainda preparar e comer «rato assado», etc… Mas tudo isso, são apenas insignificâncias.

Comentários

Anónimo disse…
Insignificâncias muito significativas... desde a catequese a título privado até à curiosidade dos cabritos que não gostam de couve, tudo é GRAÇA.
Abraço e boa missão.

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