eleições 2009-Mz


Raul Viana
Itoculo

Depois de 1994, 1999 e 2004, Moçambique viveu no dia 28 de Outubro o quarto momento de Eleições para escolher o Presidente da República, os membros da Assembleia da República e das Assembleias Provinciais. A nossa presença missionária (e estrangeira) não ficou alheia a este importante momento político nacional, procurando acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e incentivando à participação cívica e responsável.

Destas eleições multipartidárias havia três candidatos a Presidente da República. Embora os resultados finais ainda não estejam apurados, parece não haver grandes mudanças, como já era previsto. Pelos 13 Círculos Eleitorais (Províncias) concorreram 17 formações políticas que poderão trazer alguma novidade enquanto oposição política. Entretanto, o Conselho Constitucional havia excluído da corrida eleitoral 12 dos 29 partidos e coligações políticas e 6 candidatos à Presidência da República por irregularidades nos processos de candidaturas. Tudo isto foi agitando ultimamente a vida política nacional moçambicana.

Porém, a novidade destas eleições ficou marcada pelo facto de ser a primeira vez, desde a independência 1975, que os moçambicanos votaram para as Assembleias Provinciais. Uma forma de maior participação democrática da qual se esperam melhores resultados práticos para a vida dos cidadãos.

O apelo à tolerância foi uma nota constante da campanha eleitoral de 11 de Setembro a 25 de Outubro. Contudo, não deixou de haver entre os militantes e simpatizantes das diferentes facções políticas a violação deste princípio da tolerância, causando agressões físicas, algumas casas queimadas, etc... Da mesma forma, a fusão e confusão entre Administração e Partido político no poder foi uma constante, a qual parece estar em franco crescimento. Itoculo não fugiu à regra desta mistura de poderes.

Num total de quase 10 milhões de eleitores, cerca de metade da população moçambicana, a participação parece ser considerável, superior às eleições anteriores. A partir da realidade de Itoculo, verificamos que se trata de um processo eleitoral lento, com várias filas de pessoas expostas ao sol escaldante (com consequentes desmaios) esperando a sua vez de votar que precisou de ser prolongada algumas horas além do previsto. Também não faltaram eleitores privados do seu voto por irregularidade de identificação e de listas. Outra dificuldade verificou-se na distância dos locais de voto, para os quais alguns eleitores tiveram de fazer 15km (ou mais) para votarem, numa área onde não há transportes públicos e as bicicletas ainda são poucas.

Enfim, para além de algumas situações irregulares pontuais, parece que acto eleitoral decorreu com normalidade, assim foi também o parecer dos observadores internacionais. Deste modo, mesmo sem saber os resultados finais, podemos dizer que todo o povo moçambicano está de parabéns. No entanto, a expectativa em relação ao futuro mantém-se aberta mas sem ilusões. Esperemos que a escolha moçambicana não saia frustrada e que o povo, de modo especial os mais pobres, possam ver e viver com mais esperança o dia de amanhã. Nós estaremos sempre ao seu lado.

Comentários

Anónimo disse…
Resoltado final das eleições: Guebuza - 75,46%; Dlhakama - 16,51%; Simango - 8,64%.
FRELIMO - 75,6%; RENAMO - 17,78%; MDM - 3,95%.

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