A GRANDEZA DAS PEQUENAS COISAS

Um acontecimento/notícia me motiva a escrever esta partilha. O futebolista brasileiro Neymar transferiu-se do Barcelona para o PSG por 222 milhões de euros e o mundo parou: já não se fala em mais nada nas redes sociais. Não digo que seja algo de irrelevante mas por causa disso fiquei a refletir sobre prioridades. É verdade que hoje em dia os milhões é que movimentam o mundo, mas eu tenho vivido uma experiência completamente diferente (e há muitos como eu) e tenho feito descobertas maravilhosas – mas não suficientemente astronómicas para serem relatadas em todos os grandes jornais do mundo.
Não há nenhum homem – por mais poderoso e forte que seja – que não foi um bebé e uma criança vulnerável e dependente. Mas a história é escrita, geralmente, pelos grandes e poderosos (não é uma crítica). Contudo parei para pensar na importância de pequenas coisas e pequenos gestos na nossa vida e que muitas vezes passam completamente despercebidos no meio de tantas glórias e grandiosidades (até porque estas pequenas coisas são gratuitas e não custam 222 milhões de euros).
Será que temos tempo, hoje, para parar e contemplar o brilho que acompanham pequenos momentos – muitas vezes apelidados de insignificantes – como sentar numa mesa e saborear um cafezinho ou passar uma tarde de domingo a pôr a conversa em dia com o nosso grupinho de amigos. Parece que estas coisas estão perdendo lugar diante dos nossos compromissos e trabalhos; as correrias contínuas matam a nossa capacidade de sentir e de saborear os instantes da nossa vida (como diria o professor/doutor José Tolentino Mendonça).
Por isso partilho alguns destes instantes insignificantes da minha vida que me arrancam sorrisos e enchem de alegria o meu coração: eu fico muito fascinado quando passo de carro pelas estradas de Itoculo e as crianças saem a correr para “dar um tata-vo” (uma forma de saudação) ou simplesmente gritar “Patiri” (padre). Não poucas vezes recebemos chamadas ou pessoas que mandam parar o carro só para perguntar “como está o padre?” (apesar de manifestar grande simpatia, quando estamos atrasados ou com pressa é um bocado «angustiante»). Eu que sou um homem com pouca paciência estou a aprender a importância que isso representa para as pessoas que connosco partilham o quotidiano: cada um destes pequenos momentos obrigam-nos a parar e tomar consciência da importância deste instante, em especial.
Por breves momentos somos catapultados para fora das nossas preocupações e stress… ora, não podemos negar que se trata de um grande desafio, mas as pessoas, pela sua grande simplicidade, nos ajudam a descobrir a riqueza das coisas mais simples e de pequenos gestos. Por vezes passamos por um grupo de crianças e um simples Ihali (forma de saudação na língua Macua) desperta gargalhadas e sorrisos no meio delas (não sei se é só por causa da minha pronúncia engraçada!), mas isso tem significado para elas e para mim.
Emociona-me quando brincamos com os bebés e conseguimos arrancar delas aquele sorriso tão genuíno… o que tem isso de especial? Talvez nada! Mas cada acontecimento destes faz com que cada instante tenha um brilho diferente e um valor singular, capaz de nos encher a alma.

A simplicidade é capaz de nos apaixonar, se tivermos tempo e capacidade de encontrar a grande riqueza que se esconde por detrás de cada pequeno momento de simplicidade. Mas precisamos aprender a contemplá-los e a desfrutar estes momentos. Digo-vos que isso vale a pena… mais do que milhões de euros.

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